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Fair play às avessas da ditadura Temer

Inicio meu artigo evocando o conceito de fair play que está vinculado à ética no meio esportivo, onde os praticantes devem procurar jogar de maneira que não prejudiquem o adversário de forma proposital. Vários atletas já foram punidos por falta dele. O Governo Temer também será.

Não sou pitonisa, mas como vaticinei em diversos artigos escritos desde o início do golpe parlamentar em curso no Brasil, a ditadura golpista não demoraria a mostrar suas garras. Estamos pouco a pouco sentindo os sinais da sua implantação, não com a força das baionetas, e sim, na forma de uma pseudo-legalidade. A força repressiva e a censura são despropositadas, desproporcionais e ainda existe uma forte conivência dos meios de comunicação brasileiros.

O que está acontecendo nas quadras, nas arenas e equipamentos olímpicos é algo com precedentes só na ditadura de 1964. A menor manifestação contra o governo do ilegítimo Temer, mesmo que de forma discreta e subliminar, é punida com a abordagem imediata e intimidação, com retirada dos denunciantes do golpe dos locais de jogos.

As redes sociais mostram todos os dias o absurdo que vem acontecendo: são jovens, estudantes, trabalhadores e até idosos que, em grupo ou isoladamente, manifestam-se de forma democrática e são truculentamente impedidos. Mesmo quando o agente repressor aborda de forma educada o absurdo é o cartão vermelho dos locais das competições.

Estamos ou não em um Estado Democrático de Direito? Digo que infelizmente já temos os prenúncios dos tempos sombrios da repressão a nos rondar como em 1964. Há compatriotas sendo presos por se manifestarem contra o governo durante as competições olímpicas. Aconteceu no Sambódromo, no Mineirão, onde um grupo formou a frase ‘Fora Temer’ em suas camisetas, e em diversas outras arenas.

Perseguidas nos locais de jogos, as manifestações “Fora Temer” pipocam em arquibancadas de todas as modalidades na Olimpíada Rio 2016. Mesmo que haja manifestações ou protestos, o procedimento correto não seria de expulsar o torcedor, a pessoa deveria continua no local, desde que se comprometesse a não prejudicar o andamento das competições.

A famigerada Lei da Olimpíada (13.284/2016) proíbe “portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, de caráter racista ou xenófobo, ou que estimulem outras formas de discriminação”, mas ressalva o direito constitucional à livre manifestação e liberdade de expressão.

Juristas garantem: repressão ao “Fora Temer” é flagrantemente ilegal. Uma decisão liminar da Justiça Federal no Rio determinou que a União, o Estado do Rio de Janeiro e o Comitê Rio 2016 deixem de reprimir manifestações pacíficas de cunho político em locais oficiais durante a realização dos Jogos Olímpicos de 2016.

A conduta nos jogos é uma confirmação do autoritarismo que tem crescido no país. O golpe que está em curso rasgando a Constituição resulta de um governo que viola cotidianamente a carta magna. É um estado de exceção. A Constituição de 1988 foi rasgada por Temer e seus asseclas. Fair play às avessas.

*Arruda Bastos é médico, professor universitário, ex-secretário da saúde do Estado do Ceará, e um dos coordenadores do
Movimento Médicos pela Democracia.

pab

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