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Sim, Temer é Golpista

Para escrever esse artigo fui buscar inspiração na alma dos humoristas cearenses. O Ceará é o berço de grandes nomes da arte de fazer rir, como exemplos: Chico Anysio, Renato Aragão e Tom Cavalcante. Ao ler um post no twitter do Falcão, outro símbolo do nosso humor, o qual abordou o inconformismo do usurpador Temer em ser chamado de golpista, veio-me à cabeça o desejo incontido de escrever este escracho.

A postagem do citado humorista transcrevo na íntegra: “Temer não admite ser chamado de golpista. O corno também não admite e nem por isso deixa de ser”. Eu complemento dizendo que muitas alcunhas não são bem recebidas pelas pessoas de uma forma geral. Muitos dos baixinhos também não admitem ser e mesmo assim continuam tendo pouca estatura; o corno como foi citado, também não, mas é sempre o último a saber, não tem jeito. No caso de Temer, o exemplo é o mesmo: não aceita, mas é um golpista e dos mais emplumados.

O processo de impeachment da presidenta Dilma foi eivado de vícios, recebido pelo gangster Eduardo Cunha com flagrante desvio de finalidade, com parecer comprado por quarenta moedas, patrocinado e financiado pela mídia golpista e pelo grande capital nacional e internacional e finalmente concluído com a condenação sem crime de responsabilidade.

Tudo verdade, porém o meu artigo de hoje não vai aprofundar esse tema já abordado em textos anteriores e que, conjuntamente com outros, encontram-se disponíveis para leitura no livro “O Ceará e a Resistência ao Golpe de 2016”, lançado recentemente e que está à disposição pela internet e nas livrarias. Vou dissertar acerca do inconformismo de Temer em ser chamado de Golpista.

Se consultar meus leitores, a grande maioria vai citar um apelido, uma alcunha ou uma referência que não gosta. Muitas vezes, não aceitamos por desejo de sermos o oposto. O baixinho desejando ser alto, o corno sonhando com uma melhor sorte, o careca triste por não ter a cabeleira de Tony Tornado, o botijão de gás lutando por uma barriga tanquinho, o golpista desejando ser gente “de bem”. Peço desculpas se alguém se ofendeu ou vestiu a carapuça. Tudo é brincadeira.

No caso de Temer, ele não aceita o merecido título de golpista por ser o protótipo dele. Escolhido vice-presidente de Dilma, sempre teve um comportamento duvidoso. Ele permaneceu próximo das principais figuras da República não para colaborar, mas sim para solapar as ações do governo. Uma desprezível conduta patognomônica dos traidores e golpistas contumazes.

Durante todo o período do governo Dilma, e principalmente nos momentos de dificuldade, Temer se apresentava humildemente como colaborador incondicional. O trabalho foi bem feito por ele. Na surdina, por baixo dos panos, plantava a discórdia e fomentava a insatisfação dos aliados. Com artimanha, tramava o golpe minuciosamente e premeditadamente.

Meus leitores atentos já observaram que, do meio para o fim do artigo, perdi a minha veia humorística para, aos poucos, destilar a minha indignação com a postura pusilânime desse Ser tão desprezível. Traidor nas definições dos dicionários é a pessoa que trai a confiança de alguém, que trai um relacionamento duradouro sem se importar com o sentimento alheio. Temer cai como uma luva no significado literal da palavra.

Golpista, de forma ampla, é aquele que planeja ou realiza golpes, estratagemas ou tramas que buscam enganar e lesar os seus amigos. É também o indivíduo que busca, através de artimanhas, retirar o poder de um governo legitimo. Não precisa desenhar: na conjuntura atual, a cadeira do maior ardiloso e enganador já tem dono. É Temer!

Queridos amigos, o que vivenciamos no Brasil recentemente foi um golpe contra a democracia e contra todos os brasileiros. Quem trabalhou direta ou indiretamente para sua consumação é golpista, quer esteja enquadrado na categoria de inconformado com o titulo quer não.

Como na letra da música “Opinião” de Zé Keti, digo:

“Podem me prender
Podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião”
É GOLPISTA SIM!!
 


*Arruda Bastos é médico, professor universitário, ex-secretário da saúde do Estado do Ceará e um dos coordenadores do Movimento “Médicos pela Democracia”.

pab

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