Home > Blog > Dallagnol: uma mistura de David Copperfield, macaco e um novo Uri Geller

Dallagnol: uma mistura de David Copperfield, macaco e um novo Uri Geller

Por *Arruda Bastos

Quando assistia na televisão a irresponsável fala do procurador da Lava Jato, Daltan Dallagnol, apresentando a denúncia inepta contra o ex-presidente Lula, lembrei-me de imediato do personagem da minha juventude de nome “Uri Geller”, também do ilusionista mundialmente conhecido David Copperfield e de um simpático “Macaco”, sim, o irrequieto animal. Não se assustem, pois vou explicar os motivos da minha lembrança.

Uri Geller era um artista que surgiu na televisão brasileira em 1976, no “Fantástico”. Na época, eu era muito jovem e lembro que ele, com o poder da mente, entortava colheres e garfos, bastando, para isso, esfregar o dedo no talher. Nós, telespectadores, tentávamos fazer o mesmo em frete à TV e algumas vezes, iludidos, pensávamos conseguir a proeza do artista. Dallagnol tentou o mesmo!

David Copperfield é um ilusionista conhecido principalmente por combinar ilusões espetaculares com a habilidade de contar histórias. Seus feitos mais famosos são fazer desaparecer a Estátua da Liberdade, levitar sobre o Grand Canyon, escapar de uma camisa de força pendurado sobre chamas acesas e atravessar as paredes da famosa Muralha da China. Dallagnol tentou um feito ainda maior: transformar água em vinho. Só Jesus fez isso!

O Macaco entrou na minha crônica como “Pilatos no credo”. Há alguns meses escrevi o artigo intitulado Ministro ou macaco em casa de louça, o qual abordava a postura estapafúrdia do engenheiro Ricardo Barros nos seus primeiros dias no Ministério da Saúde. Na oportunidade, teci críticas a sua indicação, sua vinculação à empresas de planos de saúde e a sua primeira entrevista defendendo o encolhimento do SUS. No artigo, associei as atitudes do ministro a um Macaco desorientado. Dallagnol, com sua pífia apresentação, assemelhou-se a um ser irracional e destruidor das mais elementares diretrizes jurídicas.

No caso de Dallagnol, que é um servidor público federal, consequentemente concursado e teoricamente competente para o cargo, o fato é ainda mais grave. Não se assemelha inteiramente, portanto, a Ricardo Barros, o famigerado Ministro da Saúde com sua incompetência nata. Ele é muito pior: é narcisista, que na psicanálise se refere ao indivíduo que admira exageradamente a sua própria imagem e nutre uma paixão excessiva por si mesmo. Precisa desenhar?

Todo o picadeiro por ele comandado na apresentação da denúncia contra o ex-presidente Lula e sua posterior entrevista coletiva foi um ato deplorável e merece o repúdio de todos, do mundo jurídico e mesmo daqueles que tem restrições ao PT e ao Lula. Tentou, como Uri Geller e seus ilusionismos, ludibriar a boa-fé dos brasileiros e transformar um inocente em criminoso. Na sua apresentação, aparentava mais um macaco em casa de louça do que um ser racional.

Não se destrói um mito como Lula com propaganda, falatório, invencionice e ilusionismo. Você precisa ter provas concretas e contundentes para convencer aqueles que o seguem. Antecipar que Lula é o grande responsável pela corrupção no Brasil e não apresentar a prova cabal é crime. O fato é grave e vergonhoso, uma afronta ao Estado Democrático de Direito.

A apresentação em PowerPoint foi outra coisa ridícula. Aqui lembro de um trecho da música de Billy Blanco, “Canto Chorado”, que diz:
“Questão só de peso e medida
Problema de hora e lugar
Mas tudo são coisas da vida
O que dá pra rir, dá pra chorar
O que dá pra rir, dá pra chorar”.

Para terminar e torcendo para que a minha querida esposa, Marcilia, não leia este meu artigo, digo que “não tenho provas, mas convicção” de que Gisele Bündchen é apaixonada por mim.

Arruda Bastos é médico, professor universitário, ex-secretário da saúde do Ceará e membro do Movimento “Médicos pela Democracia”.

pab

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *