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Régis Barros: A justiça caolha

A justiça não é cega. Infelizmente, nunca foi cega e nunca será. Isso é um fato e as leis, quando positivadas, tem aplicabilidades diferentes. Além disso, quem não tem como se defender ficará alheio ao contraditório da defesa. A justiça deveria ser cega, mas infelizmente não é, pois o ser humano pode ser cego ao humanismo, mas não ao poder. E o poder fala e exala possibilidades que a justiça não honrará. É triste, mas é o que vejo. Mesmo os “tubarões” que foram presos, serão em breve soltos e gozarão do seu poder econômico. “Não há ordem sem justiça” – palavras de Albert Camus e, concordando com ele, afirmo que vivemos na desordem. Quantos pretos, pobres e desfavorecidos apodrecem em cadeias por crimes não graves e prescritos? Quantos ricos, políticos e influentes conseguem seus habeas corpus? Essa é a realidade. Esses são os fatos. Tudo injusto com a falsa roupagem da justiça. Sou cético sobre grandes operações judiciais. Como terapeuta, começo a acreditar piamente em jogos de interesses. O inconsciente sempre fala e, ao falar, desnuda a realidade. Pode ser que eu esteja paranóide com compirações imaginárias. Talvez! Mas o ser humano conspira. O poder corrompe e conspira. E tudo se liga no ato de conspirar. Não há heróis. Nós, os bípedes de Arthur Schopenhauer, somos capazes de estranhezas deveras. Desse modo, nada é a toa. Tudo se encaixa. Nesse contexto, a cegueira não está na justiça, mas sim na coletividade que acredita no que deseja acreditar.

*Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

pab

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