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Régis Barros: Por que acreditar em Papai Noel?

Régis Barros: Por que acreditar em Papai Noel?

Depois de ler, por diversas vezes, o Monólogo de Natal de Aldemar Paiva(*), eu fique filosofando sobre o “bom velhinho” e as suas significações. Portanto, ao pensar sobre o Papai Noel, eu me perguntei: quem és tu? O que seria você? O porquê de você “existir”? O que você representaria de fato?

A sua lembrança acontece no Natal. Uma data simbólica de nascimento e recomeço. Um período que invoca reflexões e demanda uma oferta de bondade. Ele, um velhinho bondoso, que distribui presente e enche as pessoas de alegria. Na maioria das vezes, a sua função é ofertar esperança e felicidade, sobretudo às crianças, representantes do que há de melhor nesse mundo.

Então, na verdade, o Papai Noel é uma representação humana que permite o homem dizer para si mesmo que existe um homem bom. É como se fosse um grito de esperança do homem para o próprio homem dizendo que a sua essência é boa. Talvez, não seja, mas, com o “bom velhinho”, podemos sonhar que somos bons. Em outras palavras, o Papai Noel seria uma espécie de negação do quanto deixamos de ser bons e do quanto deixamos de realizar coisas boas. Seria um alter ego que nos permite sonhar com um futuro. O Papai Noel é mais do que um sonho infantil. Ele é a esperança de uma humanidade sem esperança.

A maioria de nós passa 364 dias do ano sem se preocupar com o próximo. Não reparamos que a fome, a guerra, o preconceito, o abandono, a intolerância, a miséria e a violência são produtos específicos da nossa espécie. Então, em um dia, pelo menos nele, precisamos de um representante capaz de açoitar essa realidade. Essa é a maior função do Papai Noel – mostrar que é possível ser bom e distribuir coisas boas. O maior presente do Natal não são os pacotes debaixo das árvores, mas sim a possibilidade de sermos bons.

Nesses tempos atuais de cólera e de individualismo, isso é raro. Portanto, o Papai Noel é mais do que necessário. Ele é uma prioridade. Urge a necessidade em crer que somos bons e que o humanismo pode brotar em nós. Sei o quanto a nossa forma perversa de funcionar pode maltratar e excluir, mesmo assim, cabe-me acreditar. Mesmo eu, cético em relação à bondade plena do homem, dei-me o direito de voltar a acreditar no Papai Noel.

Que ele possa provar, com seu sorriso, que podemos ser bons. Que ele possa provar, com sua risada, que podemos cuidar um dos outros. Que ele possa provar que não há um alter ego nele, mas sim a nossa imagem projetada no “bom velhinho”.

Um feliz Natal a todos!

(*) http://www.recantodasletras.com.br/poesias-de-natal/4053635

*Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra e membro do Movimento Médicos pela Democracia

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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