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Arruda Bastos: Natal das Crianças e do Menino Jesus

No período natalino, o Papai Noel é um dos personagens mais encontrados nos textos alusivos à data. Existem diversas linhas de abordagem do tema. A principal delas trata da supervalorização do bom velhinho com a sua estreita ligação com o capitalismo e o consumismo desbragado. Observamos também que a figura de Jesus, o aniversariante do dia, é deixando em segundo plano, pois o marketing é voltado só para o consumo.

Outros artigos abordam a questão de uma forma mais “light” e aceitam a convivência pacífica dos dois: do consumismo, desde que ele seja de forma responsável, com a figura de Jesus Salvador. Essa corrente, de uma forma geral, é aquela que tem conquistado mais adeptos nos tempos atuais. É uma atitude conciliadora e desejada por muitos. Sabe aquele ditado que diz “se você não pode vencê-lo, una-se a ele”? É exatamente isso.

Refletindo sobre o tema, cheguei à conclusão de que o espírito de Noel existe e não está só nas renas, no trenó ou nas chaminés dos filmes infantis e nem mesmo nos presentes; ele está principalmente nas crianças e no nascimento de Jesus Menino. Pensando de forma profunda, ele está na alegria de cada criança que, mesmo sofrida, quando presenteada encontra forças para transmitir em olhares e sorrisos a pureza de suas almas.

Por isso é que, como Gonzaguinha, digo: “Eu fico com a pureza da resposta das crianças; é a vida é bonita e é bonita”. O sorriso dos seus rostinhos é, sem dúvida, a resposta e o lenitivo que precisamos para nossa vida de tantas dificuldades. A conclusão é que o bom velhinho não faz só a festa dos pequeninos, mas a nossa também. Papai Noel é a alegria do coração das crianças e faz bem ao dos adultos.

Na noite de Natal, recordo das palavras do meu saudoso pai: “vamos dormir para que o Papai Noel possa chegar”. Nós ficávamos ansiosos desde cedo, desejando que a ceia dos nossos avós terminasse logo e, muitas vezes, contrariando papai, permanecíamos acordados na esperança de flagrar o velhinho entregando os presentes. Confesso que nunca consegui, dormia antes de ele chegar. Meus filhos também não, pois aqui em casa Noel sempre foi muito cuidadoso.

Passeando com meus netinhos, Levi de 2 anos e Letícia de 4, fiquei emocionado quando o menorzinho descreveu a chegada do Papai Noel no seu quarto. Pela forma minuciosa com que me relatou o inusitado fato e pela riqueza de detalhes, acho até que realmente ele deu uma incerta no bom velhinho. Uma prova de que eu não fui tão bom professor de Noel para minha filha Lia como pensava.

Com esse clima, porque não contribuir para que um número maior de crianças receba presentes, tenha também momentos de alegria? Nas nossas casas, estamos entulhados de brinquedos que não são mais utilizados pelos nossos filhos seja porque foram substituídos por mais novos seja porque simplesmente se tornaram adultos. Que tal doá-los para famílias pobres ou orfanatos? Seria uma forma de nos sentirmos Papai Noel por um dia, o Natal para as crianças não tem data.

E o aniversariante do dia, o principal personagem da nossa festa, vai passar em branco? Absolutamente não! Devemos fazer nossas orações e novenas. Rezar a Deus pela paz no mundo, melhor distribuição de renda e eliminação das injustiças sociais. Jesus é o grande homenageado do dia e a sua inspiração faz renascer em nós o amor e a esperança de uma nova vida no Natal.

Há alguns meses não sei bem porque deixei a barba crescer. Observei que à medida que ela aumentava e sua cor branca ficava mais evidente eu lembrava do Natal e da figura de Noel. Meus netinhos sempre passando a mão na barba de forma carinhosa diziam “o vovô está parecendo com o Papai Noel”. Isso me estimulou a continuar sem cortá-la, mesmo a contragosto da minha amada Marcilia, seguindo a mesma escola do meu filho Bruno, que cultiva a sua também.

Nas fotos de autoria da minha caçula Lilia, nas quais apareço com gorro e camisa vermelha, observo que fiquei um dublê de Papai Noel. Com o comentário da filha Lívia de que com mais 1 ano eu passo de dublê ao próprio Noel, fiquei animado. É uma ideia que vou avaliar, mesmo sabendo que foi uma brincadeira. Mas quem sabe, com minha veia artística, desenvolvida com maior fervor neste ano, no próximo ano passo até a representar o ilustre personagem. Afinal, o velhinho, agora igual aos brasileiros, não vai mesmo se aposentar.

No mundo de hoje, repleto de egoísmo, desigualdades, injustiças e guerras, só mesmo em um texto leve e na pureza e no sorriso das crianças encontrarmos forças para lutarmos por justiça e paz, como Jesus nos ensinou. É a nossa fé e esperança de dias melhores para a humanidade.

Para concluir, encontro em Marcos 10,13-16 uma passagem que diz: Traziam-lhes crianças para que as tocasse, mas os discípulos as repreendiam. Vendo isso, Jesus ficou indignado e disse: “Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus. Em verdade vos digo: aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele”. É uma boa oportunidade para refletirmos sobre isso. Meu leitor não acha?

Arruda Bastos é médico, professor universitário, escritor, radialista, ex-secretário da Saúde do Ceará, um dos coordenadores do Movimento Médicos pela Democracia e um quase Papai Noel.

pab

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