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Presídios – os calabouços brasileiros

Dias atrás, eu escrevi sobre os presídios e tentava refletir sobre o porquê de alguns países estarem fechando os seus presídios e o Brasil está sem vagas para presidiários. Eis que, poucos dias depois, surge a manchete de um massacre de presos num presídio em Manaus/AM. Diante disso, novas reflexões precisam vir à tona.

Entendo que todos nós estamos amedrontados com a violência crescente. Compreendo que não temos mais segurança e a que nos apegar. Todos nós, sejamos progressistas ou ultraconservadores, vivemos assim. Talvez, o que vai nos diferenciar é a forma como analisaremos esse fardo.

Para mim, o melhor caminho deveria ser: entender o que se passa e de forma definitiva construir uma solução eficiente. Quando boa parte da sociedade goza ao ver um número de presos massacrados, a retroalimentação da violência se estabelece. Tudo será possível e permitido. Criam-se facções que se matarão – “os homens de bem” e “os homens de mal”.

Sei que alguns dirão em jargão e clichês: “você não tem pena das famílias e das vítimas que sofreram violência desses marginais”. Ou seja, aqueles que defendem tal comportamento acabam por apoiar a seguinte perspectiva: se eles matam e nos matam, temos o direito e a obrigação de matá-los. É isso mesmo? Ficamos embrutecidos a ponto de alcançarmos essa bestialidade.

Discordo dessa forma de pensar, mas me permito argumentar, respeitosamente, com aquele que pensa diferente de mim. Contudo, questiono de forma reflexiva: matar marginais e curtir massacres em presídios resolverão em que a violência que tantos nos assola?

Absolutamente em nada! Na verdade, haverá uma falsa sensação de resposta àquilo que nos maltrata – a violência desenfreada. Somente isso! Uma espécie de que algo está sendo feito ou de que não ficamos parados frente ao mal. No entanto, estamos, sim, estagnados. A sociedade e o Estado estão petrificados e mostram as suas incapacidades frente ao problema. Na verdade, quando a solução encontrada para responder ao assassinato de cidadãos é a de assassinar bandidos, mostramos que estamos presos e incapazes de resolver tudo.

A violência não surge do nada. Os marginais não brotam de ninhos tais quais os aliens dos filmes de ficção. Há um porquê. Ou paramos para entender isso ou muitos de nós morreremos em consequência disso. Se aceitarmos, sem crítica, o argumento coloquial de que “bandido bom é bandido morto”, certamente, permitiremos que muitos bandidos atuem seus desvios comportamentais em todos nós, progressistas ou ultraconservadores.

Régis Eric Maia Barros

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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