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Régis Barros: Um mundo intolerante

Um mundo intolerante

As cartas do mundo são essas: Intolerância e ódio. Elas são as bolas da vez. A não aceitação do diferente surgindo com roupagem de atos perversos. Atos que vão desde um desrespeito contra aqueles que pensam diferente e que até alcançam, por vezes, agressões e extermínios.

O ódio como moeda relacional. Esse é o mote. Concordo com o filósofo francês André Glucksmann e, por isso, cito, aqui, sua reflexão: “o ódio julga sem ouvir, condena a seu bel-prazer, é arbitrário e poderoso”. Ele sempre existiu. Isso é fato. Ele sempre esteve presente na nossa raça, porém por que ele cresce nessa intensidade e com perspectivas diversas? Em face dele, a ideia de que o mundo é de todos é falsa. Na verdade, sempre foi falsa. O mundo é de quem pode mais. O mundo é dos mais poderosos. E ressalto que o ódio anda de mãos dadas com o poder. Os que estão empoderados ou que se sentem com poder, mesmo sem tê-lo, costumam exalar ódio diante de um contraditório.

Quem pode mais aceita aqueles que validam seu modo de pensar. E sejamos honestos! Nós, humanos, temos uma dificuldade em aceitar o diferente. Para aceitá-lo, teremos que trabalhar isso dentro de nós. O que temos, realmente, é uma imposição ideológica que leva à maniqueísmos estruturados e rígidos. De um lado, “os certos” e do outro “os errados”. Mesmo que não existam certos e errados em absoluto, as castas ideológicas são formadas. Diante disso, o que “os certos” deverão fazer com “os errados”?

Eis um terreno fértil para a atuação do ódio. Para “os errados”, sobram ataques, agressões e, até, mortes. Nada disso é novidade. O dinamismo da informação atual apimenta e catalisa cada vez mais isso. Criamos guerras constantes cujas armas não são somente os armamentos de fogo, mas sim a palavra, o comportamento e a postura.

O mundo sofre e o ser humano padece desse mal. O ódio passa a ser quase uma doença. Seria algo viral? Melhor que fosse, visto que, alguma vacina poderia ser criada no decorrer do tempo. Mas, ele é uma construção humana e produto da nossa intolerância. O futuro é nebuloso, pois esse ódio tem a possibilidade, inclusive, de findar a espécie. Os cenários futurísticos de Mad Max não são, dentro dessa lógica, tão impossíveis de acontecer.

Em meio a tantas tribos com repertórios ideológicos diferentes, não haverá, sequer, uma que esteja mais “certa”. Todas tribos devem coexistir e, a partir das diferenças, crescerem juntas. Pergunto-vos: qual é a sua tribo?

Régis Eric Maia Barros

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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