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Arruda Bastos: A Bancada da Bala é fogo

Quando escutei a notícia de que a reacionária “Bancada da Bala” do Congresso estava propondo ao governo, como medida salvadora para a crise nos presídios, a criação de mais um Ministério, o da Segurança Pública, o ditado popular que me veio à cabeça foi o seguinte “Alegria de palhaço é ver o circo pegar fogo”. Pois é exatamente assim que considero a proposta: é colocar mais fogo na fogueira.

Continuando a analisar o tema, o mais absurdo foi o fato de o Presidente não riscar de pronto a proposta e até incentivar o levantamento de dados para a sua efetivação. Aí me lembrei de outro ditado que diz “Quem brinca com fogo acaba se queimando” e é justamente o que pode acontecer. Todos nós sabemos que não é por decreto que se vai acabar com a violência e muito menos nos presídios. O buraco é mais embaixo.

Não satisfeito, continuei a procurar dados acerca da audiência da “BB” (Bancada da Bala) com o Presidente. Encontrei que o atual e desastroso Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, posicionou-se contra a proposta alegando que a medida acarretaria uma diminuição do prestígio do seu Ministério, que perderia poder na república. Argumento incorreto para uma posição correta. O Ministro é vacilante, por ele “não boto a mão no fogo”.

Mas ainda sobre o tema do milagroso Ministério que, como por encanto, resolveria todos os males da segurança pública no Brasil, lembrei de um outro ditado que diz “onde há fumaça há fogo”. O que a “BB” pretende é a ampliação de sua força política, indicar o Ministro e a maioria dos cargos da nova pasta. Mas o que me deixou mais intrigado é que entre as atribuições designadas para o novo Ministério estaria também o comando da Polícia Federal, a atual jóia da coroa nas investigações da Lava Jato. O ditado caiu como uma luva.

Essa “Bancada da Bala” é fogo mesmo, só se esqueceu de que “quem tem rabo de pólvora não passa perto de fogo”. É o caso, pois se refletirmos, ela,  como a bancada da “Bíblia’, da “Bola” e a “Ruralista”, existe há muitas décadas no Congresso e nunca contribuiu para a solução dos problemas brasileiros. Não temos conhecimento de propostas conseqüentes dos seus deputados, com raras e honrosas exceções.

Não vamos aceitar que uma falácia de solução para violência caia na vala comum de um populismo e oportunismo desbragado. Temos que investir no social, geração de empregos e renda, educação e em uma segurança científica e humanizada e não em repressão e politicagem, pois a experiência demonstra que não funciona.

Para concluir, e criando meu próprio ditado popular, já que não concordo com o original que considero machista, eu digo “Água morro abaixo, fogo morro acima e governo quando quer, ninguém segura”. Ou melhor, só o povo organizado segura. Não ao Ministério da Segurança!

Arruda Bastos é médico, professor universitário, escritor, radialista, ex-secretário da saúde do Estado do Ceará e um dos coordenadores do Movimento Médicos pela Democracia.

 

pab

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