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Crítica: Conspiração e Poder. Por Márcio Bastos

Em tempos onde redes sociais viraram verdadeiros ringues onde todos querem impor suas opiniões – mesmo quando possuem um conhecimento superficial sobre determinado assunto – chega ao catálogo da Netflix o filme CONSPIRAÇÃO E PODER. Uma produção que traz uma bela reflexão que pode ser perfeitamente aplicada ao mundo que vivemos hoje.

Com roteiro adaptado e direção de James Vanderbilt, o filme é baseado em uma história real que aconteceu em 2004, nos Estados Unidos. Sua protagonista, a produtora de telejornal Mary Mapes (Cate Blanchett), é retratada durante uma investigação jornalística quando buscava trazer à tona um passado indigesto do então candidato à reeleição norte-americana George W. Bush. Ele, segundo evidências apuradas pela produtora e sua equipe, teria se beneficiado do prestígio familiar pra, em vez de ser enviado ao Vietnã, servir na Guarda Nacional do Texas. Um polêmico furo de reportagem – de total relevância por envolver um candidato à presidência – que foi levado ao ar pelo canal CBS.

O problema é que esse furo, por pressões da emissora, tinha um prazo muito curto pra ser apurado. E o que parecia um grande feito jornalístico virou um estrondoso pesadelo. Logo, outros jornais e fontes ligadas a Bush passaram a minar o conteúdo da matéria, questionando especialmente documentos apresentados alegando serem falsos.

Aí dá pra imaginar quem se deu mal no meio disso tudo. A emissora? ÓBVIO QUE NÃO! A partir do episódio, a até então prestigiada produtora da CBS passa a ser caçada publicamente. Um covarde ataque que sugere diversos interesses por trás, tendo como principal deles enterrar sua carreira e reverter a situação a favor do candidato republicano.

Principal destaque do filme, Cate Blanchett mais uma vez não decepciona. Ela está virando uma daquelas atrizes que fazem a gente prestigiar qualquer trabalho só pela presença. Como o ponto de vista dos acontecimentos é todo o dela, presenciamos seu drama e as sucessivas injustiças que vão destruindo sua carreira de maneira absurda.

O ponto negativo fica pra falta de esclarecimento sobre a matéria. Terminamos sem saber ao certo se ela trazia ou não a verdade em seu conteúdo. Algumas momentos sugerem que sim, só faltou uma resposta definitiva.

Mas o barato do filme está mesmo em mostrar um pouco de como funcionam os bastidores da notícia em uma grande rede de televisão. Robert Redford, que assume o papel do veterano âncora Dan Rather, aparece como antigo representante de um jornalismo que parecia ter consciência de sua responsabilidade. E que foi perdendo espaço pra números de audiência e jogos de interesse. O que nos leva à mais importante lição que podemos tirar dessa história: a de que nunca devemos pautar nossas opiniões baseados em apenas uma fonte de informação.

Márcio Bastos é Redator, graduado em Letras e amante da sétima arte desde que se entende por gente.

Márcio Bastos
Redator publicitário, graduado em Letras e devorador de filmes e séries desde menino véi.

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