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Com a posse de Trump, Tio Sam e o mundo colocam as barbas de molho. Por Arruda Bastos

O resultado surpreendente das eleições americanas com a ascensão do republicano, magnata e populista de direita, Donald Trump, ao posto de presidente da terra do “Tio Sam” causou instabilidade e preocupação em todo o mundo. A principal dúvida quanto a sua futura gestão reside no fato de ser ou não ser crível que ele implemente as propostas explicitadas durante sua campanha. Mas e se ele levar a cabo suas promessas? A eleição foi nos EUA e não no Brasil. Aqui na nossa terrinha, já sabemos de antemão que a grande maioria das propostas e promessas feitas durante o período eleitoral não são nem de longe cumpridas, mas nos Estados Unidos será que o mesmo vai acontecer?

Tio Sam (do inglês Uncle Sam) é a personificação dos Estados Unidos da América e um dos símbolos mais conhecidos do mundo. O nome Tio Sam foi usado pela primeira vez durante a Guerra Anglo-americana de 1812 e teve sua materialização em uma gravura no ano de 1870. Ele é, geralmente, representado como um homem de feições sérias, com cabelos brancos, barbicha, cartola e roupas com as cores e elementos da bandeira norte-americana. Como vamos, infelizmente, conviver com Trump pelos próximos quatro anos, em breve voltarei a falar da origem até hoje polêmica do nome Tio Sam.

Dentre as propostas populistas de Donald, que demonstram todo o seu despreparo e o risco de um grande retrocesso, podemos citar: na política externa ele pretende colocar os EUA como centro do mundo e sempre em primeiro lugar, mesmo que, para isso, precise sacrificar os interesses de seus aliados; na economia, a promessa é de aumentar os postos de emprego através da penalização às empresas que deixarem o país, transferindo suas fábricas para outros países, principalmente para a China e para o México. Existe também a ameaça de aumentar impostos para quem não empregar preferencialmente cidadãos americanos.

Na saúde, Trump propõe algo parecido com a proposta do nosso Ministro da Saúde, Ricardo Barros: promete revogar o ObamaCare, a lei pela qual todo americano deve ter plano de saúde financiado. Era justamente a única novidade do governo Obama e um embrião de saúde pública para os americanos. Ele pretende seguir os princípios da privatização dos planos de saúde. Na educação, a proposta é afastar o governo federal da sua responsabilidade e transferir tudo para os estados. Trump também quer que as escolas deixem de ser “zonas livres de armas” e propõe que as pessoas possam portar armas dentro e ao redor delas. Um verdadeiro absurdo!

A proposta mais conhecida do programa de Trump é a promessa de construir um muro na fronteira com o México, obrigando inclusive este país a pagar pela sua construção. Deseja, nesse caso, fazer, como se diz na gíria, barba, cabelo e bigode. Pretende, através de sanções, cobranças de dívidas e até ameaças de jogar na lata do lixo os acordos comerciais existentes, fazer crescer a renda dos americanos. Para completar, ainda prometeu expulsar todos os imigrantes ilegais que já estão nos EUA. São todas propostas estapafúrdias do milionário presidente eleito.

Trump é contra as restrições ao porte de armas. Ele afirmou durante a campanha que é preciso endurecer as leis para lidar com criminosos. Para os donos de armas, estimula a sua utilização alegando que a polícia não consegue estar em todos os lugares o tempo todo. O republicano é um incentivador da energia nuclear e pretende ressuscitar a poluente indústria do carvão. Ele afirma, ainda, que políticas de energia limpa para reduzir as emissões de carbono iriam colocar em perigo empregos e as classes média e baixa americana. Ele é um troglodita do tempo das cavernas e não acredita em aquecimento global, afirmando ser tudo uma invenção do Greenpeace.

Não suportando falar mais de tão nefasta figura, prefiro falar da expressão “deixar as barbas de molho” ou “colocar as barbas de molho”. Ela é de origem portuguesa e significa que o indivíduo deve ficar atento, alerta e cauteloso de forma paciente e bastante antenado nos acontecimentos. Na Antiguidade e na Idade Média, a barba era um símbolo de honra e poder. Colocá-las de molho seria então uma forma de proteger a própria honra. Por via das dúvidas, com a eleição de Trump, é melhor o Tio Sam e o mundo colocarem as barbas de molho. Eu que cultivo a minha há muito tempo, agora sabedor da sua importância e já respirando o clima da posse de Trump, vou deixar que ela cresça ainda mais.

*Arruda Bastos é médico, professor universitário, radialista, escritor, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e um dos fundadores do Movimento Médicos pela Democracia.

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://www.portalarrudabastos.com.br

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