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Caso Teori, queima de arquivo ou teoria da conspiração? Por *Arruda Bastos

Esperei a poeira baixar para escrever sobre o acidente de avião que vitimou o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator da Lava Jato naquela casa, Teori Zavascki. Diversos artigos postados e publicações na imprensa tratam do fato abordando as mais diversas facetas e teses. Encontramos desde uma queima de arquivo até argumentos que beiram a teoria da conspiração.

Queima de arquivo é utilizado para os casos de eliminação de uma testemunha importante e que poderia denunciar executores de um delito. Ampliando a definição, podemos dizer que “arquivo” é alguém que guarda informações importantes sobre um crime e seus responsáveis. Queimar um arquivo significa eliminar essas informações. É o assassinato de quem sabe de forma exclusiva de fatos comprometedores contra pessoas muito perigosas e influentes.

Teoria da conspiração é uma hipótese explicativa, narrativa e que sugere o envolvimento de pessoas ou organizações em um delito. Normalmente é construída para justificar a hipótese lançada. Desde os anos 1960, o termo se refere a explicações que mencionam conspirações sem fundamento, muitas vezes produzindo suposições que contrariam a lógica e compreensões predominantes dos eventos e fatos. Uma característica comum das teorias conspiratórias é que elas evoluem para uma questão de fé em vez de prova. É uma conta de chegada.

O acidente do Ministro, por sua repercussão e influência nas investigações da Lava Jato, gera dúvidas e polêmica. Para piorar, Francisco Zavascki, filho de Teori, postou, em maio de 2016, que “É óbvio que há movimentos dos mais variados tipos para frear a Lava Jato. Penso que é até infantil que não há, isto é, que criminosos do pior tipo simplesmente resolveram se submeter à lei! Acredito que a Lei e as instituições vão vencer. Porém, alerto: se algo acontecer com alguém da minaha família, vocês já sabem onde procurar…! Fica o recado!”. Agora postou que “Eu avisei”!

Outro comentário que colocou mais lenha na fogueira e deu o que falar foi o do delegado federal Márcio Adriano Anselmo, uma das estrelas da Lava Jato. No Facebook, para cobrar uma investigação “a fundo” do acidente, ele postou que: “Esse ‘acidente’ deve ser investigado a fundo”. Colocou “acidente” entre aspas, sugerindo tratar-se de um atentado. Segundo o delegado, a morte de Teori é “o prenúncio do fim de uma era”. Para Anselmo, o ministro “lavou a alma do STF à frente da Lava Jato”. Depois de divulgado na imprensa ele subitamente editou seu texto.

Nas gravações feitas pelo presidente da Transpetro, Sérgio Machado, com o Senador Romero Jucá é insinuado um pacto para estancar a sangria da Lava Jato. Sérgio Machado na época falava em buscar alguém que tivesse relação com o Teori, mas que essa possibilidade era difícil. Os áudios vazados das conversas sugerem a construção de um plano para salvar os políticos mergulhados em corrupção. Nas fitas ficava claro que seria necessário: tirar a Dilma, colocar o Temer, entregar o Cunha às feras, blindar o Renan e parar Teori. Com o “acidente” se fechou a premonição.

Poderia ainda citar inúmeras outras matérias que, no mínimo, colocam uma pulga atrás das nossas orelhas: o inusitado acesso em um só dia às especificações do avião acidentado; a postura de alguns investigados em fotos na internet rindo à toa e muito mais. Prefiro comentar mais profundamente esses tópicos em outro artigo já que vou transformar o tema em uma saga até a sua conclusão.

Qualquer que seja o pensamento do meu leitor sobre o fato, o que devemos todos exigir é uma apuração rigorosa e transparente da morte do Ministro e a continuidade com a mesma celeridade dos processos da Lava Jato, que estavam sobre a responsabilidade de Teori. A verdade deve prevalecer acima de tudo.

*Arruda Bastos é médico, professor universitário, escritor, radialista, um dos coordenadores do Movimento Médicos pela Democracia e Sherlock Holmes nas horas vagas.

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://www.portalarrudabastos.com.br

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