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Crítica: Black Mirror. Por Márcio Bastos

Altas horas da madrugada. Toca o telefone na casa do primeiro-ministro britânico. De seu gabinete, assessores o chamam pra revelar que a princesa foi sequestrada por um terrorista. Pra devolver a realeza viva, a condição: que ele faça sexo em rede nacional com uma porca. VISHHH! Ele ignora o pedido e deixa que a herdeira da coroa morra ou encara a porquinha e a humilhação pública? Muito prazer, essa é apenas uma das histórias de BLACK MIRROR, a série inglesa de PAPOCAR cabeças.

Se você dá MÓ VALOR assistir filmes e séries que façam pensar e lhe provoquem de alguma forma, vai amar esta preciosidade, criada em 2011 pelo iluminado Charlie Brooker. A brincadeira é a seguinte: em cada episódio, uma nova história. O que lembra muito o formato da série sobrenatural das antigas ALÉM DA IMAGINAÇÃO. A diferença é que aqui os temas envolvem a relação do homem com a tecnologia, mostrando-a numa perspectiva assustadora. Tipo, na história do primeiro-ministro, vemos seu drama ser repercutido em pouquíssimo tempo pelas mídias digitais, com a sociedade e um jornalismo sedento por audiência sendo decisivos no rumo dos acontecimentos – agindo no piloto automático, através de seus computadores e celulares.

Colega, tem MUUUITO mais! São tantas as questões levantadas nos episódios que esse é o tipo de série que você certamente vai querer indicar aos amigos. E depois, claro, chamá-los pra discutirem. Já pensou se, por exemplo, vivêssemos em um mundo onde a tecnologia permitisse gravarmos na memória o cotidiano em detalhes, podendo rever cenas e assim expor a vida privada de qualquer pessoa? E se pudéssemos, apertando um simples botão, bloquear as pessoas na vida real, deixando-as sem imagem e som compreensível? São projeções de um futuro que funcionam perfeitamente como críticas ao presente e à forma como usamos nossos brinquedinhos tecnológicos. Ferramentas que podem até ter chegado pra contribuir com nossa evolução mas que, se não colocarmos em perspectiva, conduzirão todos nós a um caminho de dar muito medo.

Chamou sua atenção? Encara lá que são só três temporadas – com poucos episódios cada e a mais recente produzida pela Netflix, que traz em seu cardápio as primeiras temporadas também. Sei que a série não vai conseguir fazer você largar o smartphone enquanto seu filho lhe chama para brincar ou entre amigos na mesa do restaurante, mas pelo menos abrirá mais sua cabeça para os efeitos colaterais desse entorpecente chamado tecnologia.

Márcio Bastos nosso colunista de cinema

Márcio Bastos
Redator publicitário, graduado em Letras e devorador de filmes e séries desde menino véi.

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