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Régis Barros: A felicidade colore…

Meu Leozinho tem uma característica fantástica: a curiosidade instigante. Eu sou suspeito para falar dessa qualidade dele, pois sou apaixonado por ela.

Após assistir Trolls com ele, fui, novamente, supreendido com suas perguntas reflexivas. Assim, ele me questionou:

“papai, quando ficamos tristes, por muito tempo, perdemos nossas cores e ficamos cinzas”?

Eu lembrei dos muitos pacientes deprimidos que já atendi e tratei. Recordo-me muito bem da queixa principal de um deles. Ele me disse “que se percebia preto e branco e sem cores, pois a felicidade é capaz de pintar a aquarela da vida”. Ele complementou afirmando que “quando se vive sem cores, por muito tempo, a vida vai perdendo o sentido”.

Respirei e respondi ao Leozinho. Confirmei a percepção dele. Reforcei que a tristeza demorada faz com que as cores da vida deixem de existir”.

Pensei que isso bastasse, mas ele continuou e questionou um pouquinho mais da seguinte forma:

“papai, o que você faz com essas pessoas que te procuram”?

Pensei rápido e respondi:

“Filhinho, eu tento colorir um pouco a vida deles, mas, sozinho, eu não consigo. Daí, eu tento fazer que todos eles peguem, também, o pincel e melem-no de tinta para pintar a própria vida. Às vezes, isso é difícil Leozinho, mas, quando eles conseguem pintar, tudo volta a ficar colorido”.

Ele, já cochilando, comentou:” papai, então, você é meio médico e pintor”

Balancei a cabeça afirmativamente e esperei ele dormir…

Régis Eric Maia Barros

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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