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Régis Barros: A prescrição certa

Pode até soar como odisseia e presunção, mas entendo que o médico, independente da especialidade, deveria prescrever dignidade, esperança e possibilidades. De que adiantaria permanecer vivo sem ter isso. Claro que a medicina tem na sua essência o ato de tratar e curar, contudo o que todo paciente espera do médico procurado para tratar o seu padecimento? Esse é o ponto a ser destacado. Quem já se sentiu fragilizado por qualquer doença ou por situações limites entende que o médico é muito mais do que um “curandeiro”. Mesmo na era do “Google”, quando buscamos um médico, estamos ansiosos por uma postura amiga e por uma pessoa que nos acolha. Esse médico precisará prescrever muito além de remédios e fórmulas. A prescrição está, sobretudo, nele. Por isso, Michael Balint alertou a todos nós, médicos, que “as histórias dos pacientes devem ser escutadas. Que eles devem ser tratados como amigos, pois cada um deles precisa de uma dose do remédio mais potente de todos: o próprio médico”. Sem isso, não há medicina. Portanto, a esperança, o afeto, a dignidade e o carinho são prescrições obrigatórias do verdadeiro médico. Essas terapêuticas não estarão em receituários brancos, carbonados, controlados, azuis ou amarelos. Elas estarão ou não no próprio médico.

Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra, mestre e doutor em Saúde Mental

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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