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Crítica: Logan. Por Márcio Bastos

O ano 2000 foi um divisor de águas para os filmes de super-herói. Nele, o diretor Bryan Singer lançou o primeiro X-MEN, uma máquina furadeira que alçou Hugh Jackman ao estrelado e abriu caminho para um tipo de filme que até então nunca tinha emplacado nos cinemas. Dezessete anos depois, com o gênero estabelecido, podemos presenciar seu amadurecimento e, com ele, a sensível e visceral despedida de Jackman do personagem que o consagrou.

Disparada a melhor experiência da franquia dos mutantes – assumindo fácil também o posto entre os melhores do gênero –, LOGAN ganha esse título por ir justamente na contramão da cartilha, voltando-se muito mais para o aprofundamento dos personagens. É um filme corajoso que, pegando carona no sucesso de DEADPOOL, parece ter tido total liberdade criativa da Fox, trazendo um roteiro que não faz concessões quando sente necessidade inserir cenas de violência – todas orgânicas dentro da trama –, o que levou inclusive ao aumento na sua classificação indicativa.

Adaptado livremente dos quadrinhos de VELHO LOGAN, que dá um salto no tempo para mostrar um Wolverine detonado, fugindo do seu passado de lembranças infelizes para tentar encontrar um pouco de paz, o filme parece tirado de uma prateleira de livros envelhecidos. Ele traz poeira por toda parte e nesse aspecto lembra muito a saga MAD MAX. Entre as outras referências, que não são poucas, encontramos ainda OS BRUTOS TAMBÉM AMAM e THE LAST OF US, o aclamado jogo de PLAYSTATION que claramente parece ser a principal inspiração do roteiro.

James Mangold, diretor que tem alguns bons filmes no currículo, revisita o personagem depois de seu irregular WOLVERINE: IMORTAL. Com as liberdades adquiridas, ele consegue finalmente trazer a essência do personagem dos quadrinhos para as telas.

O que dizer então de seu protagonista? Hugh Jackman, consciente de sua despedida do papel, faz o filme definitivo do herói. Sua paixão pelo material fica evidente pela entrega em cena. Outro que retorna para se despedir é Patrick Stewart, que aparece como um Professor Xavier debilitado e também cheio de traumas, dividindo com Logan as lembranças de um amargurado passado. Ele é outro que faz sua melhor participação na franquia até aqui.

Para não ficar apenas nos dois atores, o elenco ainda é reforçado pela desconhecida atriz-mirim Dafne Keen, que faz Laura, uma garotinha aparentemente indefesa que revela ter habilidades mutantes muito parecidas com a de Logan. Em um papel essencial para o desenvolvimento do filme – onde a pequena atriz surpreende especialmente nas cenas dramáticas –, ela aparece de repente na vida do protagonista, que com seu surgimento acaba mais uma vez sendo jogado para o centro da ação.

Com força para agradar até mesmo quem não é muito fã de quadrinhos, LOGAN se destaca pelo drama, mostrando na tela um Wolverine nunca visto antes. Ao final da sessão, embalado nos créditos pela poderosa voz de Johnny Cash, fica a sensação de despedida misturada à satisfação de que enfim o personagem teve um filme à sua altura.

Márcio Bastos é crítico de filmes e séries do nosso portal de notícias.

Márcio Bastos
Redator publicitário, graduado em Letras e devorador de filmes e séries desde menino véi.

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