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Crítica: 13 Reasons Why. Por Márcio Bastos

Relutei um pouco em escrever sobre 13 REASONS WHY – ou, se preferir, Os 13 Porquês –, a nova série da Netflix baseada no livro do norte-americano Jay Asher. Em um momento de nossa existência onde tudo parece ser polarizado, confesso que queria fugir de todas essas polêmicas que ela vem gerando. A principal delas: ser acusada de superficial ao abordar diversos temas CABULOSOS do universo adolescente, especialmente o suicídio.

A série tem de fato um tema principal muito pesado. Traz a história de Hannah Baker (Katherine Langford), que comete suicídio deixando gravadas várias fitas K7 onde aponta os responsáveis por tomar tal decisão. Cada episódio – num total de 13 – mostra Clay Jensen (Dylan Minnete), colega de colégio que gostava da moça, escutando as fitas em meio ao enorme sentimento de impotência por não poder alterar o passado.

Mas afinal, ela é prejudicial a quem assiste? Vamos por partes. Com relação ao tema “suicídio”, sim, a série passa longe do aprofundamento. Todo o sofrimento vivido por Hannah é tocado sem mostrar ao telespectador – em especial a quem supostamente esteja vivendo um drama parecido com o da personagem – que pode existir uma saída. Isso poderia ser introduzido na trama de alguma forma e, não resta dúvida, é a grande bola fora da série.

OK, OK, isso é um problema. O que me leva a um segundo questionamento: será que tudo nos dias de hoje tem que se dividir entre IRAAADO e É UMA BOSTA? A série entrega diversos pontos positivos e sou da opinião que trazer uma discussão à tona tem seu valor. São tocados em assuntos como bullying, cyberbullying, assédio sexual, assédio moral, dificuldade de comunicação entre pais e filhos e mais um bocado de temas que podem acender ainda mais debates em escolas, redes sociais e diversos outros campos. Nesse aspecto, acho que, mesmo sendo um produto que inevitavelmente tem o propósito de fisgar a audiência, ela aponta refletores para o debate.

Com uma roupagem que de início dá a sensação daqueles filmes High School americanos, eu consegui enxergar em 13 REASONS WHY bem mais que isso. Trazendo uma eficiente montagem, ótima trilha sonora e excelentes atuações da dupla Dylan Minnete e Katherine Langford, taí uma série que, se não é densa em sua abordagem, funciona como um ótimo exercício de enxergar as coisas pelo ângulo de outra pessoa e entender que muitas vezes aquela dor que parece bobagem para você pode ter um peso enorme na vida de alguém.

Márcio Bastos é crítico de filmes e séries do nosso portal de notícias.

Márcio Bastos
Redator publicitário, graduado em Letras e devorador de filmes e séries desde menino véi.

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