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Daniel Fonseca: Punição para corruptores e corruptos. Diretas Já!

Quanto aos delatores, que estão curtindo a vida em Nova Iorque com a família, é interessante lembrar que o acordo da JBS com o MPF (pagamento de multa de R$ 11 bilhões, parcelada em dez anos!) venceu ontem. Eles queriam pagar somente 1 bi dos 11 bi determinados pela PGR. O faturamento do grupo é de R$ 200 bilhões ao ano.

A PGR/MPF até já disse que a negociação de leniência zerou e que agora vai considerar também os crimes apurados pela CVM na bolsa e no mercado cambial. O problema é que nada mais foi feito em relação aos donos delatores da JBS. Um inquérito sequer. Apesar das especulações feitas desde quarta-feira (17/05) e das corrupções reincidentes nos últimos dez anos.

Assim, eles seguem construindo o discurso de que estão se dispondo a uma cruzada “voluntária” contra a corrupção (ao acordarem a delação), mesmo prejudicando os próprios negócios, que na verdade eram baseados na lógica parasita sobre a coisa pública.

E é por isso (proeminência dos empresários sobre o Estado e qualquer interesse público, com posterior anistia parcial, mas suficiente para seguir em frente) que é Meireles quem vem aí como a solução para a crise nacional.

O discurso vai ser o da formação técnica e da experiência administrativa, aliadas à capacidade de trânsito do DEM ao PT e ao compromisso com “as reformas de que o Brasil necessita” e eleição indireta para consumar o golpe de forma rápida e abrupta, mas segura.

A esquerda deveria adotar essa linha política de PUNIR EMPRESARIOS CORRUPTOS E CORRUPTORES. As prioridades deveriam ser 1) derrubar temer; 2) diretas já! e 3) barrar as reformas.

O paradoxo, no campo da “narrativa” de centro-esquerda é que muitos lulistas/petistas, no contexto de operações como Carne Fraca e a própria Lava Jato, tomaram o neodesenvolvimentis-mo como se fosse bandeira e cláusula pétrea “da esquerda progressista” e “nacionalista”. Defenderam, inclusive, as empreiteiras e as carnicerias podres em nome da salvaguarda da economia nacional.

Resta saber como vão se portar agora que o trator da operação está atingindo diretamente o algoz maior do petismo (Temer) e várias figuras graúdas entre os inimigos clássicos do PSDB (Aécio, Serra), além de ex-aliados traiçoeiros (Kassab, Marta). Vão exigir a punição severa dos donos da JBS, ex-patrocinadores vultosos nas últimas três campanhas presidenciais?

Mais ainda: decidirão mesmo se opor à eleição de Henrique Meireles, ex-tucano que, eleito pela 1a vez dep. federal em 2002, abdicou do mandato para comandar o Banco Central por oito anos na Era Lula? O desafio central vai ser a busca por manter o discurso contra a Lava jato, mesmo esta sendo a base para a destituição de Temer e, ao mesmo tempo, buscar diferenciar-se de PMDB, PSDB, PSD e outros numa delação em que duas figuras petistas de proa como Guido Mantega e Palocci também estão sendo moídos política e penalmente a partir das denúncias da Odebrecht e JBS.

Por fora do quadro político estrito, devem ser acompanhadas de perto as movimentações dos mentores da Rede Globo, que não tomam decisões sozinhos, mas também não costumam abrir mão, nem pôr em risco de arbitrar e moderar os rumos da política e da economia nacionais, tarefa que sempre se outorgaram como se fosse o “dever” missionário do grupo desde a origem. No meio desses fluxos, orbitam e tentam influenciar as figuras do Judiciário, o poder mais impermeável e hermético, portanto bem menos “republicano”, ainda que os demais já não sejam quase nada.

Nestes dias, figuras como Cármen Lúcia e Gilmar Mendes devem estar exercitando impossíveis ginásticas constitucionais para dar ares de normalidade institucional a qualquer saída que esteja sendo delineada em nome na execução final do que realmente importa, a agenda das reformas regressivas e a protelação de qualquer “externalidade” que possa pôr em risco o projeto proposto desde 12 de maio 2016, com a devida celeridade e profundidade que a banca financeira e o PIB nacional apontavam.

Daniel Fonseca – Jornalista, filiado ao PSOL

Manoel Dias da Fonsêca Neto
Médico sanitarista, escritor, ex-secretário da saúde de Fortaleza e um dos coordenadores do Movimento Médico pela Democracia.

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