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Arruda Bastos: Quem tem medo das Diretas Já?

O “momento ouro” de toda democracia é o do voto popular, pois é através dele que definimos os rumos de uma nação, as propostas e as diretrizes de um governo a ser implementado em um lapso de tempo determinado pelos mandatos. No Brasil, vivemos hoje um paradoxo de um governo não eleito, com propostas não referendadas nas urnas sendo votadas a toque de caixa por um grupo ilegítimo, capitaneado pelo temerário Temer.

As delações da JBS e, principalmente, a gravação da inconcebível audiência de Temer com Joesley Batista, um dos donos do corrupto grupo empresarial, trouxeram à tona o que nós já sabíamos e não tínhamos como provar. O presidente é um perigoso marginal que, ao longo de sua carreira e, principalmente, agora na presidência, empenha-se em surrupiar os recursos públicos para viabilizar seus objetivos políticos, calar o gângster Eduardo Cunha e garantir uma gorda aposentadoria com malas de dinheiro por vinte anos.

Temer é carta fora do baralho; em poucos dias vai cair e, definitivamente, ocupar o lugar que merece no lixo da história como um reles traidor, golpista e corrupto. Provavelmente será preso e responderá na justiça pelos seus crimes. Devemos também exigir que, de imediato, os seus atos sejam suspensos e as reformas da previdência e trabalhista, paralisadas no legislativo. A discussão agora é o day after e a forma de garantir a continuidade democrática.

A pergunta que não quer calar é “quem tem medo das Diretas Já?”. Ela tem cabimento nesse momento porque a grande maioria do nosso povo já se manifestou nas ruas e nas pesquisas de opinião como sendo a única forma de retornarmos ao leito democrático e pacificarmos o país. Não existe a mínima possibilidade de uma eleição indireta, sem o crivo popular, por melhor que seja essa escolha, o que já consideramos impossível, tendo como eleitores um congresso corrupto, na sua maioria, para resolver esse impasse.

No momento, é consenso geral que o governo Temer acabou e que na mesa temos duas correntes: a primeira, democrática, que propugna pela substituição do governo por outro eleito diretamente e que, consequentemente, puxará a proposta das reformas para o crivo popular, pois só serão executadas se vencedora nas urnas; a outra defende também o “fora Temer”, mas através de eleições indiretas, para propiciar a continuidade das malfazejas reformas de forma rápida antes da eleição prevista de 2018.

Com o parágrafo anterior, fica fácil responder ao questionamento do meu artigo. Quem tem medo das diretas são os patrocinadores do golpe e do governo Temer, a grande mídia capitaneada pela Globo, a FIESP e seus patos, o capital internacional que deseja abocanhar as nossas riquezas por míseros dólares, os partidos e políticos reacionários que sonham com a volta dos tempos negros de 64, que queremos esquecer, e, por fim, mas não menos importante, todos os políticos e ocupantes de cargos com foro privilegiado que tem medo de perder o privilégio.

Compete, então, agora ao povo, às entidades de classe, aos movimentos sociais, aos sindicatos, aos trabalhadores, às associações, aos políticos e partidos comprometidos com a democracia cerrarem fileiras com o clamor popular, irem ás ruas, às manifestações, às redes sociais e levantarem bem alto a bandeira das eleições DIRETAS JÁ. Nós não temos medo das urnas. Fora Temer e suas reformas!

Arruda Bastos é médico, professor universitário, membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, radialista, ex-secretário da Saúde do Ceará e um dos coordenadores do Movimento Médicos pela Democracia.

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://www.portalarrudabastos.com.br

One thought on “Arruda Bastos: Quem tem medo das Diretas Já?

  1. Como muito bem esmiuçado neste brilhante artigo, sabemos quem tem medo e quais os motivos para não termos a nossa democracia, legitimamente, recomposta, ou seja, através do voto popular; os que não têm medo da plena democracia no Brasil clamam por eleições diretas e não indiretas, como querem os que colocaram o país no atoleiro, AS FORÇAS DO ATRASO!

    As forças do atraso, hoje, são representadas pela temerária figura que exerce a cadeira da Presidência da República, os golpistas de 2016, os empresários representados pela FIESP, os narcotraficantes que se infiltraram nas esferas de comando do Brasil, os especuladores e agiotas internacionais (parceiros de muitos políticos do alto escalão) e para “informar” a população, temos a famigerada Globo, o maior complexo midiático existente no Brasil, e só no Brasil tem-se uma empresa midiática deste porte, e que foi criado com capital norte-americano sob a batuta da ditadura militar de 1964.
    Com o fracasso das políticas neoliberais do governo Temer, que é uma aliança política costurada pelos derrotados e inconformados tucanos nas eleições de 2014 com o PMDB, DEMO e afins, o país entrou em recessão econômica
    O obscuro e ilegítimo Temer resolveu com a sua equipe fazer as reformas sociais e trabalhistas, sempre orientados pelos Marinhos, aniquilando todas as conquistas experimentadas pelos trabalhadores nas áreas de educação, saúde, cultura, etc, fruto dos governos anteriores voltados para o social, como é de se esperar num país como o Brasil; Temer entregou nossas riquezas(o lado tucano do seu governo), cortou tudo do povo para satisfazer as elites econômicas e o capital especulativo nacional e internacional com a desculpa de que estas reformas são necessárias para a retomada do crescimento do país.
    Com a popularidade do governo Temer beirando zero, seus crimes sob domínio público e o povo nas ruas com mobilizações recordes de massas populares reivindicando seus direitos e pedindo a saída deste governo, seus integrantes, que se revelaram verdadeiros gângsteres e grandes criminosos, querem forçar a barra para se perpetuarem no poder, querem fazer uma eleição para presidente de forma indireta; como diz o Dr. Mourão ; ” O que é isso, cara pálida?!
    Nós queremos votar para presidente, pois eleições com a participação do povo é a única saída honrosa e legítima para o Brasil. Diretas Já!

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