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Manoel Fonseca: Reflexões a partir do artigo do Haddad na Revista Piauí

“Mas a Dilma não está acima das criticas, né? Cá entre nós, é íntegra, mas politicamente cometeu muitos​ equívocos.”
Em resposta a esta indagação, por eu ter dito que não tinha gostado do artigo de Hadadd, escrevi estas reflexões:
Como Lula também cometeu muitos erros e muitos acertos. O artigo começa muito ruim relatando de forma um tanto pejorativa um encontro com Dilma e, mais à frente, exalta o acordo com o governo federal sobre dividas e financiamento que desafogou a Prefeitura e não fala positivamente de Dilma. Sempre que se refere a ela é com menosprezo e, inclusive, tentou convencer Lula de “assumir o governo” como primeiro ministro. Alem de se exaltar pelas excelentes relações com os Civitas e Fernando Henrique. Em certo momento quase dá a entender que Dilma facilitou o golpe por seus erros, falando em “estelionato”, usando a linguagem da direita. Parece que faz questão de “se distanciar, de não se misturar com Dilma, a durona, que até o tratava bem”, enquanto só faz elogios a Lula. Tanto Lula fez conciliação de classe, com o tal ganha-ganha, quando os banqueiros e empresários ficaram muito mais ricos e os pobres ficaram um pouquinho menos pobres, como Dilma não tinha o carisma de Lula, nem sua extraordinária capacidade de comunicação popular. Lula e Dilma acertaram muito e o golpe foi tramado pela direita para tentar destruir os governos populares e seus avanços sociais no inconsciente coletivo, batendo na tecla hipócrita da corrupção, para tentar apagar da história estes governos populares, como fizeram com João Goulart em 1964.
Penso que Hadadd é um quadro, muito inteligente e preparado, mas demonstrou um certo ranço e arrogância de certos intelectuais paulistas, que se acham mais intelectuais do que a periferia de São Paulo, ou seja, o resto do Brasil.

Manoel Fonseca é membro do Coletivo Médicos pela Democracia-Ceará

Manoel Dias da Fonsêca Neto
Médico sanitarista, escritor, ex-secretário da saúde de Fortaleza e um dos coordenadores do Movimento Médico pela Democracia.

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