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Editorial do Jornal O Povo: “Conter a evolução da febre chikungunya no Ceará”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece como quadro epidêmico quando uma doença chega a incidir numa cidade ou região em 300 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Vejam, então, o quão grave é a situação da febre chikungunya no Ceará e como ela continua evoluindo. No último boletim de 2016, do dia 30 de dezembro, já havia 540 registros entre 100 mil habitantes. Chegamos praticamente à primeira metade de 2017, e agora já são 797 pessoas acometidas para cada 100 mil.

Esses são os dados mais recentes, divulgados no boletim epidemiológico da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), de 9 de junho. Uma contagem que, como se mostra, deverá complicar. A chikungunya tem casos suspeitos notificados em 168 dos 184 (91,3%) municípios cearenses. Foram notificados 71.491 casos, tendo sido 30.627 confirmados e mais de 35 mil sob investigação (5.773 foram descartados).

Não bastasse o relato de sofrimento dos que se veem acometidos com sintomas como dores intensas nas articulações – e que permanecem como sequela por semanas ou até meses, mesmo após o período crítico – além da febre muito alta, a chikungunya também tem o risco de evoluir para óbito. O último boletim da Sesa também informa que 26 pessoas morreram neste ano, após contraírem a doença: 20 delas em Fortaleza, três em Caucaia, uma em Beberibe, uma em Pacajus e uma em Senador Pompeu.

Com a epidemia tão alastrada, espalhada entre nossos amigos ou familiares ou como risco de também ser parte dos índices, o cearense cobra controles mais eficazes. O poder público ainda sustenta o alerta de que a maioria dos focos do Aedes aegypti está dentro de casa, mas é importante o cidadão se sentir protegido por mais ações de combate ao mosquito. A zika e a dengue também são disseminadas pelo mesmo inseto.

Ontem, o governo estadual lançou uma premiação para municípios que conseguirem melhorar suas ações de combate ao Aedes aegypti. Os resultados precisarão ser alcançados já a partir deste mês até dezembro, com critérios definidos pela Secretaria Estadual da Saúde. Será um incentivo de R$ 10 milhões, a ser pago em 2018. Com o devido acompanhamento de órgãos fiscalizadores do dinheiro público e de controle real da doença, pode vir a ser uma boa estratégia para amenizar a situação epidêmica tão inquietante e perigosa.

pab

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