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Régis Barros: Quem teme muito a morte esquece a vida…

De tudo que existe, só há uma certeza – a nossa partida. Nem queremos pensar sobre isso, visto que incomoda horrores. Partir e lidar com o fim são situações que geram um desconforto deveras. Contudo, se nos aprisionarmos a esse medo, acabamos por não viver. Quem teme imensamente a morte, também, temerá viver na mesma intensidade desse medo. Quem vive intensamente sabe que a morte não gera um medo constante, pois, ao viver, esquecemos de morrer. A morte tripudia, sobretudo daqueles que se esquivam da vida. Aí, ela é cruel, pois ela não aliviará e fará da existência do ser “medroso” uma morte em vida. Viver requer desejo. Viver demanda de gana. Viver vincula a percepção de que “isso aqui pode e deve ser massa”. Sem isso, temos a morte e caminharemos com um medo constante de morrer, todavia ressalto que já estaremos mortos. Viver sem vida é um morrer sem ter alcançado a morte concreta. Para a morte, eu respondo com a vida. Não temo o morrer, haja vista, que vivo tão intensamente que sei que a morte me respeita. Se ela me chamar, mesmo precocemente, ela simbolicamente apertará a minha mão e falará: “parabéns, você viveu intensamente e para mim, a morte, você continua e continuará vivo”. Você, que me leu, reflita sobre isso. Portanto, faça-me um favor: Viva! Como dito pelo Teatro Mágico, “a vida anuncia que renuncia a morte, dentro de nós”.

Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra, mestre e doutor em saúde mental

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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