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Crítica: Beasts of No Nation. Por Márcio Bastos

O mundo da criança é bem diferente do mundo dos adultos. Ou pelo menos seria ideal que fosse. Sem ainda conhecer até onde o ser humano pode ir com suas maldades, na infância ela constrói um lugar que deveria ser considerado por todos como sagrado. E dá vontade de encher de LAPADA qualquer indivíduo que inventa de destruir isso.

Primeiro filme produzido pela faminta Netflix, BEASTS OF NO NATION se mostra determinado a revelar em detalhes esse lado destrutivo e maligno do ser humano. Baseado no romance escrito pelo nigeriano Uzodinma Iweala, o longa conta a história de Agu (Abraham Attah), uma criança que, apesar da vida difícil em um país africano ameaçado pela guerra civil, consegue viver uma infância genuinamente feliz. Com a chegada da guerra, seu mundo vira de PONTA-CABEÇA e ele acaba sendo forçado a se tornar soldado de um grupo rebelde.

O contexto em que aquelas pessoas estão se matando pouco importa. Para o diretor Cary Fukunaga (da 1a temporada da aclamada série TRUE DETECTIVE, da HBO), o que interessa mesmo é registrar o passo a passo de uma infância roubada. E ele faz isso de um jeito brilhante e, ao mesmo tempo, assustador. Para sentirmos na pele o horror que é jogar uma criança em um ambiente extremamente cruel no qual ela não pertence, acompanhamos a narração de Agu e seu olhar cheio de inocência sendo transformado pelo de um adulto precoce. Ao fim do processo, vê-lo como uma máquina de matar totalmente entorpecida é de cortar o coração.

Interpretando uma figura carismática chamada apenas de Comandante, Idris Elba (de A TORRE NEGRA, atualmente nos cinemas) aparece, ao lado do ótimo estreante Abraham Attah, em uma atuação DUCARAMBA. Seu personagem, um líder controverso que inspira jovens “guerrilheiros” com discursos inflamados, é o principal responsável pela brutalidade que invade a vida do pequeno protagonista.

Acho que já dei elementos suficientes para encarar ou não o filme. Gosta de produções de guerra? Pois esteja certo que essa já entra para o time de melhores do gênero. Um choque de 220 volts que te leva a um mundo que nunca deveria existir.

Márcio Bastos é crítico de filmes e séries do nosso portal de notícias.

Márcio Bastos
Redator publicitário, graduado em Letras e devorador de filmes e séries desde menino véi.

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