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Arruda Bastos: Risadas, conversas gostosas e vida mais feliz é no Sítio Soledade

Depois de mais de trinta dias de abstinência das letras, voltei a escrever na noite de hoje. O fato motivador para esse interregno se deveu ao período de grande melancolia e luto vivenciado por mim depois do falecimento da minha santa e querida mãe em 31 de agosto último, o que motivou uma total falta de inspiração e avassaladora saudade no meu coração.

O raio de sol já brilhava na Capital Alencarina quando eu e Marcilia saímos de casa para, com minha irmã Regina e meu cunhado Henrique, depois de transcorrido um ano, voltarmos ao Sítio Soledade no município de Mulungu para a tradicional moagem, que tem como anfitriões meu primo Airton e sua exemplar esposa Carmen. Desta feita, nossa caravana foi acrescida de mais irmãs, Liana e Elisa, com seus consortes, Wilson e Beto, além do sobrinho André e sua esposa Ismênia.

No caminho, fizemos um pit stop na cidade de Baturité, terra dos meus ancestrais, palco de tantas recordações da infância e de alegrias. Logo que paramos na casa do inesquecível casal Raimundo e Noemy Arruda, meus avós maternos, um sentimento inenarrável me encheu e um filme passou de forma eletrizante na minha mente. Pela primeira vez depois do infausto passamento da minha mãe, Maria de Lourdes, passei a sentir uma paz de espírito só sentida por quem tem a certeza de que ali, naquele casarão da rua Sete de Setembro, habitaram pessoas iluminadas e que estão junto do Pai a nos proteger.

Saímos, depois de algumas fotos, para o nosso destino final naquele abençoado sábado: o Sítio Soledade. Ao chegarmos no aprazível e aconchegante lugar, deparei-me logo de início com um grupo de queridos primos, capitaneados por Clódio e Júlio Cesar, que de forma efusiva nos saudaram. Na oportunidade, eles também fizeram elogiosos comentários ao meu time de coração, o Ceará Sporting Club (o Vozão, para os torcedores como eu). Só então percebi que, diferentemente do ano passado, quando compareci ao evento de chapéu e camisa vermelha, o que inspirou minha crônica “O Capeuzinho Vermelho, a moagem e o Sítio Soledade”, estava eu portando um charmoso boné do meu clube do coração e uma linda camisa preta, cor que, com o branco, definem a minha paixão futebolística.

Os anfitriões, como sempre, superaram-se com o seu carinho e seu acolhimento invejáveis, mesa farta de café da manhã, moagem com caldo de cana, mel, alfenim e rapadura. Tudo bem docinho, como a amizade de todos da família. Na hora do almoço, foi-nos oferecido mais uma mesa com tudo do bom e do melhor, seguida da tradicional sobremesa com dezenas de opções, cada qual a mais tentadora e um pecado, principalmente para quem não pode e nem deve se exceder nas guloseimas ou por excesso de peso ou por diabetes. Tudo irresistível.

Como nos anos anteriores, as paixões ideológicas, políticas e clubísticas, como deve ser, não influenciaram nas conversas, relacionamentos e amizade entre os presentes. Um exemplo para nossa vida do dia a dia e que devemos aproveitar para levar mundo a fora, também para distante dos limites do Sítio Soledade. Esse espírito de tolerância e amor entre os seres humanos que pensam e agem diferentes deve ser cultivado. Progressistas e reacionários, tricolores e alvinegros, a diversidade racial e de sexo deve ser superada e sempre encorajada.

Com tudo o que aconteceu no dia de hoje, cheguei ao final do dia renovado e com uma nova e arrebatadora inspiração para escrever ainda mais e durante muitos anos sobre os sentimentos que realmente importam e devemos cultivar: a amizade, o carinho e o amor à família e ao próximo.

No final, para fechar com chave de ouro, só mesmo aquela foto para a posteridade, com todos os queridos familiares e amigos. Sorrisos de orelha a orelha, mas já com uma pontinha de saudade e a confirmação antecipada da presença de todos no próximo ano. Afinal, como garbosamente estampada nas camisetas de vários no Sítio Soledade, só mesmo os amigos tornam as risadas mais altas, as conversas mais gostosas e a vida mais feliz.

E como Chico Xavier disse, “é exatamente disso que a vida é feita, de momentos. Momentos que temos que passar, sendo bons ou ruins, para o nosso próprio aprendizado. Nunca esquecendo do mais importante: nada nessa vida é por acaso. Absolutamente nada. Por isso, temos que nos preocupar em fazer a nossa parte, da melhor forma possível. A vida nem sempre segue a nossa vontade, mas ela é perfeita naquilo que tem que ser”.

Para concluir, digo que era justamente de um dia como o de hoje que eu estava precisando para renovar minhas energias e esperança no mundo. Sei que muitos dos meus familiares e amigos também. Que Deus ilumine a todos.

Arruda Bastos é médico, professor universitário, membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, coordenador do Movimento Médicos pela Democracia e um apaixonado pela família e defensor da igualdade entre os povos.

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://www.portalarrudabastos.com.br

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