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Régis Barros: Medicina confrontadora

Há uma grande confusão quando se fala sobre o ato de “defender” a medicina. A idéia de defesa, sempre, é bem vinda, sobretudo, se ela representar um desejo de lutar por uma medicina com recursos e capaz de oferecer ao paciente o melhor em termos técnicos, éticos e humanos. No entanto, sem perceber, entidades médicas e muitos colegas médicos vêm confundindo as coisas. Sem notar, usando um entendimento equivocado sobre “defesa”, uma perspectiva de confronto vai crescendo entre a medicina e as demais categorias da saúde. Esse é um grave problema que, a meu ver, deveria ser analisado e dialogado entre os conselhos que regulam todas as categorias da saúde. Infelizmente, estamos perdendo a capacidade de dialogar e reparar as arestas para corrigir possíveis dificuldades. Se as nossas entidades não são capazes de fazer isso e se comunicam através de liminares ou outros instrumentos judiciais, o que poderemos esperar dos representantes das equipes multiprofissionais das mais diversas unidades de saúde (hospitalares ou não). A verdade é que esse modelo confrontador nasce, cresce, se reproduz e, infelizmente, não morre quando incorporado nessas unidades de saúde. Daí, as relações entre os profissionais podem caminhar com uma superficialidade ou indiferença perigosa, pois, se isso se concretizar, será o paciente que sofrerá a conseqüência de receber uma atenção à saúde fragmentada. Não haverá saúde se as diversas categorias não interagirem nem se respeitarem. Todas elas são importantes e fundamentais. Todas são necessárias para o alcance mais pleno do bem estar daquele que padece de algum infortúnio da saúde. Todas desempenham funções primordiais que, ao final, se complementam. Acredito que o diálogo, pautado na ciência, ética e humanismo, é a melhor alternativa para resolver pendências e questões importantes. A via da justiça com liminares e outras medidas cautelares, por mais que tenha a égide da justiça, não aproxima, mas sim afasta. Ao final, aquilo que já era distante ficará ainda mais. Desse modo, que tal tentarmos conversar. Que tal o CFM e nós, médicos, criarmos essa rotina de comportamento. Mesmo que não queiram conversar conosco, poderemos demonstrar que sempre estaremos dispostos a conversar. Se não desejarem conversar, lamentaremos, mas divulgaremos a melhor idéia para resolver conflitos – o dialogo – e nos colocaremos aptos a executá-lo O caminho deveria ser esse. Assim, eu acredito!

Régis Eric Maia Barros

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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