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Régis Barros: A felicidade está no simples

Na minha prática de trabalho como psiquiatra, eu atendo adultos que sofrem e que choram. Na verdade, quando estou diante de adultos, que padecem de sofrimento emocional, eu vejo e escuto de tudo. Todo o processo de adoecer finda em angústia e dor. O que me chama mais a atenção é o fato de, geralmente, a gênese dos sintomas terem, como mola propulsora, questões com outros adultos. Diante disso, defendo uma tese de que as relações adultas podem nos expor ao sofrimento. De fato, ao conversar com as crianças ou quando percebemos suas relações, não encontramos alguns sentimentos e comportamentos, tais como: covardia, preconceito, traição, cobiça, ganância, falsidade, rancor, domínio, hipocrisia e perseguição. Poderia tomar outras linhas desse pequeno artigo para citar muitos outros comportamentos de adultos, contudo isso não se faz necessário. A verdade é que, quando crescemos, nós deixamos tudo mais complexo e, dentro dessa complexidade, acabamos por machucar e, também, findamos nos machucando. Nesse “evoluir”, que tanto nos fascina, nós abdicamos do simples. Deixamos de curtir e de se relacionar usando o simples tal qual é feito pelas crianças. Tal qual fizemos em um período da nossa vida. O “amadurecer” nos prega, portanto, uma grande peça, pois, por um lado, as possibilidades construtivas são maiores, mas, pelo outro, somos mais hábeis em maltratar e criar dores, ou seja, em destruir. Então, para mim, não soa com estranheza a conta final de tudo isso a qual eu presencio no meu consultório. Legiões de adultos deprimidos e ansiosos. Legiões de adultos se queixando de outros adultos. E o mais assustador, legiões de adultos queixando-se de si mesmo e, de uma forma ou de outra, percebendo que o simples faz muita falta. Por isso, compartilho, aqui, duas imagens que provam a beleza do simples. Meus dois filhos (Léo e Ben) brincando no quintal com uma das suas cachorrinhas – a Pitty. Não há interesses. Não há desejos. Não há sentimentos negativos. Há, somente, felicidade a qual foi promovida pelo simples.

Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra, mestre e doutor em saúde mental

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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