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Régis Barros: Quando fecho os olhos

Quando fecho os olhos, eu vejo casais apaixonados que se beijam. Vejo também crianças correndo atrás de uma bola. Elas correm de forma despreocupada e as suas gargalhadas entram pelos meus ouvidos. Quando fecho os olhos, eu percebo caridade, alteridade, justiça e altruísmo. Vejo um mundo fraternal. Vejo pessoas desprovidas de preconceito. Sinto que ninguém julga o outro pela sua cor, identidade de gênero, sexualidade, situação social e perspectiva política. Quando fecho os olhos, eu enxergo o amor. Um amor tão gostoso que faz meus olhos se mexerem, mesmo que eles estejam fechados. Quando fecho os olhos, sinto o cheiro das flores. A essência da bondade prevalece. Sinto isso com os meus olhos fechados. Escuto os pássaros, respiro carinho e enxergo os olhos da paz. Quando fecho os olhos, vejo vidas belas e pessoas mais leves. Pessoas que não se cobram em demasia. Pessoas que se gostam. Pessoas que se enamoram. Vejo pessoas melhores. Pessoas que não julgam nem excluem. Quando fecho os olhos, eu sonho com um futuro em que o valor não está no “ter”, mas sim no “ser”. De olhos fechados, confirmo essa presença. Com os olhos fechados, entendo que não somos regidos pela aparência, mas sim pela essência. Sinto-me bem com meus olhos fechados. Sinto-me leve com meus olhos fechados. Mas, infelizmente, acordamos e abrimos os olhos. Como dito por Renato Russo, ao abrir os olhos, enxergamos um mundo doente. Sempre que durmo, com os olhos fechados, enxergo algo melhor. Que pena ter que abri-los, porém não tem jeito, pois temos que encarar a realidade.

Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra, mestre e doutor em Saúde Mental

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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