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José Maria Philomeno: O futuro do Bitcoin

Sempre que ouvimos pessoas buscando investir em moedas estrangeiras fortes, seja com o intuito de precaver-se da desvalorização da moeda local – o que ocorria muito ao tempo da hiperinflação-, seja para obter melhor rentabilidade ou mesmo para ocultar os recursos, lembramos do Dólar, do Euro, como de outras moedas de economias sólidas e estáveis.
Mas, recentemente, um novo tipo de moeda tem atraído muitos investidores, são as chamadas criptomoedas. Ou seja, para melhor entendermos, não se tratam de moedas oficiais adotadas como meio circulante por países e emitida e controlada por bancos centrais, como o nosso Real, por exemplo, mas sim de moedas virtuais – uma espécie de versão online do dinheiro que só pode ser recebida e enviada pela internet.
Estas moedas são criptografadas por uma rede de complexos computadores para garantir total segurança, e sua emissão é realizada de forma descentralizada, sem o controle de uma instituição financeira ou de bancos.
Na prática as criptomoedas tem sido mais utilizadas para realizar pagamentos e transferências de dinheiro entre países, pela facilidade que sua pouca regulamentação proporciona. Mas grandes empresas já as aceitam, como Microsoft, Expedia, Dell e muitas outras.
Há centenas de criptomoedas circulando na internet e cada vez mais companhias estão gerando suas próprias moedas no mercado digital. Contudo a que tem provocado maior interesse é o Bitcoin, que já soma valores que superam 200 bilhões de dólares e cuja procura por investidores virou uma febre mundial, fazendo sua cotação subir mais 1.500% só neste ano, de janeiro para cá.
Como explicar este fenômeno? Será o início de uma nova era financeira, assim como ocorreu na antiguidade com a adoção de metais como meio circulante, sucedendo as práticas primitivas do escambo, ou estas moedas virtuais não passam de um modismo especulativo?
Muitos entusiastas veem no Bitcoin o surgimento de uma moeda universal. Uma maneira de revolucionar a forma como as pessoas usam o dinheiro, tirando toda a ideia de um gerenciamento centralizado e passando isto para os próprios usuários, sem a necessidade de toda uma burocracia como acontece, por exemplo, com os cartões de crédito e o câmbio entre diferentes moedas.
Ainda sou muito cético com o futuro destas moedas virtuais. Ariscando-me a concordar com os que enxergam a formação de uma bolha exasperadamente inflada ao redor do Bitcoin, que corre sério risco de estourar, provocando uma avalanche de perdas. As moedas virtuais e ainda privadas são instrumentos muito voláteis e sujeitas a fraudações. Temo que o destino do Bitcoin seja o mesmo das famigeradas pirâmides: que enricaram poucos à custa da desilusão e ruína de muitos.

José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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