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Crítica: Nocaute. Por Márcio Bastos

Filmes sobre boxe sempre tiveram vocação para o drama. Da série Rocky às investidas mais recentes, todos trazem a redenção geralmente como tema principal. Neles, assumimos a posição de torcedores que, acompanhando de perto a saga do protagonista, sentimos suas dores e passamos a vestir a camisa desejando que um grande momento de catarse chegue ao final.

Como em Hollywood requentar aquela comidinha gostosa é uma antiga máxima, eis que surge Nocaute – filme de 2015 que retorna ao catálogo da Netflix este mês –, mais novo desafiante a entrar na disputa por um lugar ao sol entre os celebrados do gênero. O que ele traz de especial para desnortear os adversários? Se segura aí que eu conto já.

Dirigido por Antoine Fuqua (Dia de Treinamento), o filme traz a história de Billy Hope. O cidadão tem tudo na vida: fama, dinheiro, uma família amorosa e o atual título de campeão. Pois é, mas não demora muito para vir o soco do destino. Depois de uma catástrofe, seu castelo desmorona e ele precisa encontrar forças para dar a volta por cima.

O enredo, que descrito assim parece bem batidinho, traz algumas surpresas que fazem a conferida valer a pena. Sem soltar spoilers para não prejudicar a experiência (recomento que não veja antes nada sobre o filme), a saga de Hope tenta ir além de clichês do gênero como o do adversário provocador que se acha o melhor ou do treinador old school que fará o protagonista encarar de frente todos os desafios. Sim, esses clichês estão presentes (o treinador é interpretado aqui pelo ótimo Forest Whitaker), mas as duas horas de projeção oferecem um pouco mais que somente isso.

Se o que leu até agora não foi suficiente para despertar sua atenção, vou te falar do maior trunfo da produção. Colega, esse trunfo se chama Jake Gyllenhaal. Indicado ao Globo de Ouro 2015 como melhor ator dramático pelo filme O Abutre – com grandes chances de mais indicações em 2018 pelo seu novo trabalho O Que te Faz Mais Forte –, ele tem aqui um de seus grandes momentos na carreira. Aproveitando a chance de interpretar um personagem que oferece diversas possibilidades dramáticas, o ator põe em prática todo o seu talento.

Tá a fim de dar aquela extravasada em uma montanha russa cheia de loopings e, como dizia Rocky Balboa, colocar coisas guardadas no porão para fora? Então encara que o ringue é teu. Só recomendo levar o lenço. Indiquei o filme a um amigo e o coitado disse que não parou um segundo de fungar e despejar suor pelos olhos.

Márcio Bastos é crítico de filmes e séries do nosso portal de notícias.

Márcio Bastos
Redator publicitário, graduado em Letras e devorador de filmes e séries desde menino véi.

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