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Régis Barros: Por que eu apoio a Chapa de oposição para o SIMEC

Nas próximas eleições do SIMEC, existem duas chapas. Portanto, teremos a Chapa da situação e a Chapa de oposição. Nessa pequena reflexão, afirmarei o meu apoio à chapa de oposição. Antes de tudo, deixo público o meu respeito a todos os integrantes da chapa da situação e seus apoiadores. Na verdade, a minha aproximação com a chapa de oposição se dá por, pelo menos, dois motivos a se saber:

O primeiro está relacionado às propostas dela e a sua forma de propor a defesa da classe médica e da saúde pública.

O segundo está vinculado à admiração que tenho pelos membros dessa chapa, composta por pessoas sérias, idôneas e comprometidas, de fato, com a medicina, a saúde e a classe médica.

Entendo que a política sindical deve ter em seu bojo a junção da pró-atividade e da capacidade crítica da escuta. Não se faz política sindical nem se defende a saúde pública e a categoria médica com posturas arrogantes. É preciso se impor com o diálogo e não com a petulância de comportamentos. Na vida sindical, há uma necessidade primordial de tentar dialogar, argumentar e negociar com todos, inclusive com o algoz (político e não político) que ataca a saúde e os médicos. Isso não é conseguido com embustes e posturas arrogantes. Portanto, vaiar médicos cubanos, publicar outdoors peculiares, fazer posts agressivos em mídias sociais ou vídeos midiáticos podem, até, massagear as estruturas egóicas de quem padece da necessidade de validação externa. Infelizmente, muitos colegas da classe médica demandam disso, ou seja, da necessidade mister de prioridade. Portanto, tais posturas podem sim trazer, neles, essa sensação de resposta e representatividade. Essa identificação psicodinâmica é comum e replicável, todavia, em nenhum momento, isso trará proteção e empoderamento da categoria médica. Pelo contrário, cada vez mais a sociedade nos enxerga como arrogantes, ricos mimados, ególatras e como seres alheios aos reais problemas sociais da população que necessita do SUS. Então, de que adianta os médicos se sentirem potentes e fortalecidos entre os próprios médicos? Para mim, isso não adiantará nada do ponto de vista de fortalecimento da saúde e da categoria. Só conseguiremos mudar essa situação se sairmos dessa negação arrogante e se pararmos de nos enganar. Não se consegue mudanças com pirotecnias e teatralidades. Esse não pode ser o caminho. Pouca coisa se muda quando queremos verticalmente impor um poder que não temos. Portanto, o SIMEC demanda urgentemente disso e, infelizmente, eu não consegui enxergar isso na atualidade. Pelo contrário, identifico os equívocos que citei acima. Sem notar, o atual SIMEC se desnuda. As antípodas psicanalíticas costumam estar próximas. Portanto, arrogância e fraqueza andam de mãos dadas. Agir com essa arrogância mostra força ou demonstra a fraqueza escondida?

Pelo exposto, percebo que a chapa de oposição pode contribuir com essa minha perspectiva. Ela está alicerçada na ética, bom senso, humildade, capacidade de escuta e na possibilidade de defender com força a categoria e a saúde pública sem ter necessidade de posturas arrogantes ou de puerilidade no agir.

Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra, mestre e doutor em saúde mental

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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