Home > Colunistas > José Maria Philomeno: Os riscos da febre amarela

José Maria Philomeno: Os riscos da febre amarela

O Brasil, apesar de todas as mazelas na saúde pública, é uma referência mundial no que tange à imunização de doenças infectocontagiosas. Juntos, o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz são excelências históricas na pesquisa, descoberta e produção de vacinas. Fabricam 25 tipos de vacina que abastecem o mercado nacional. Além de exportarem para mais de 70 países.
0 Programa Nacional de Imunizações (PNI) aplica gratuitamente, com cobertura em todos os rincões do território nacional, mais de 300 milhões de doses. Entre as crianças o alcance chega a 99%. O sucesso do programa nos fez erradicar doenças como a varíola e o pólio muito antes de países desenvolvidos. E tem sido ao longo das últimas décadas reconhecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como um dos mais completos e eficazes do mundo.
Contudo, e apesar de toda nossa capacidade de imunização, temos falhado na contenção dos vetores de transmissão. O caso mais emblemático é do mosquito Aedes, responsável pela ressuscitação da Dengue – que tinha sido praticamente extinta na década de 70-, além da recente proliferação de epidemias de Chikungunya e Zika.

E, neste momento, é muito preocupante os recorrentes surtos de Febre Amarela, doença que também estava adormecida há algumas décadas. Nos últimos meses e semanas já são milhares de casos diagnosticados, principalmente nos estados das regiões Norte e Sudeste, com mais de 300 óbitos registrados.
A Febre Amarela é uma doença hemorrágica transmitida por mosquito e causada por um vírus da mesma família dos da Dengue da Zika. Apresenta sintomas de febre alta, vômitos, fadiga, calafrios, náuseas e dores musculares. E que na forma grave pode em muitos casos levar ao óbito.
O mais inquietante é que além da forma silvestre (transmitida por mosquitos encontrados nas áreas florestais, que contamina predominantemente macacos), já há ocorrências da transmissão urbana, que se faz através de um velho conhecido, o mosquito Aedes aegypti – fato que não era registrado desde 1942.
Tanto que a OMS e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) divulgaram boletins com recomendação de cuidados para viajantes com destino ao Brasil. O que tem levado a uma corrida em busca de vacinações contra a Febre Amarela, tanto por viajantes como pela população das regiões mais afetadas.
Aproximadamente 65% da população brasileira não está vacinada, o que tem causado muita preocupação às autoridades. Que neste caso foram irresponsavelmente imprudentes, já que há mais de um ano já se alertava sobre os riscos. Em novembro de 2016, o epidemiologista da USP, Eduardo Massad já projetava uma eminente epidemia da doença no Brasil: “Minha preocupação é a febre amarela. É uma bomba-relógio”.

pab

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *