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Aos amigos que acreditaram na Chapa 2. Por Régis Barros

Por vezes, filosofo sobre o que nos move. O que nos dá ânimo e energia para lutar. Enfim, o que nos movimenta na direção oposta do desistir. Poderia falar de inúmeras coisas, todavia, objetivamente, penso que o sonhonos conduz no sentido disso. O nosso movimento político (Médicos pela Democracia) e a Chapa 2 nos fazem sonhar um sonho bom.
E por que afirmo isso?
Por que desejamos uma saúde decente, justa para o paciente e digna para os profissionais de saúde. Desejamos uma esfera de respeito entre os colegas médicos. E por que isso? Por que lutamos por justiça, igualdade e proteção social, sobretudo dos mais desassistidos. E pensar nisso não é algo de esquerda, mas sim algo humano. A medicina é uma ciência humana, pois ela existe e faz o bem muito antes das grandes descobertas científicas que modificaram a história médica.
E por que continuo a afirmar isso?
Por que somos éticos. Somos médicos progressistas e disso eu me orgulho, visto que, olhar para o outro, que padece e sofre, de forma humilde e sem conservadorismo ou petulância, é o certo e o ético. Respeitamos os colegas que pensam diferente de nós, embora não nos acovardemos com esse silêncio tão mantedor do status quo. Infelizmente, a medicina e a categoria médica, tão aguerrida às causas sociais em outrora, vêm num formato mais rígido e, por vezes, em ressonância com o conservadorismo. Infelizmente, alguns colegas médicos até defendem pessoas sabidamente preconceituosas, misóginas e que apoiam tortura. Fazer o que? Os tempos atuais são esses os quais vêm demonstrando uma dureza sem igual. A professora e filósofa Jacqueline Russ já nos alertava que vivemos num “vazio ético” e, assim, caminhamos. Até na medicina, vanguarda das lutas humanas em toda a história, esse vazio vem tomando conta.
O processo eleitoral do SIMEC foi repleto de confusões. Ele nasce por si só cheio de conflitos de interesses evidentes aos olhos nus. Imaginem o Presidente Temer está à frente do órgão máximo que conduzirá a eleição à presidente. Imaginem o presidente Temer chefiando esse órgão eleitoral e gravando áudios de apoio ao candidato que ele acha que deve ser o eleito.

Tudo isso mostra que, independente da chapa que fosse vitoriosa, todos nós, médicos e toda a categoria médica seríamos derrotados, visto que, coadunamos com a pouca ética. Não questionamos esse conflito de interesses. Damos salvo conduto àquilo que é sabidamente equivocado. Perdemos a moral de questionar os maus feitos de todos os partidos ou políticos, sejam do PT ou do PSDB ou de qualquer um. De uma forma ou de outra, participamos do protagonismo disso. A eleição do SIMEC, que, por sinal, está sub judice, prova isso.
O momento requer reflexão!
Parabenizo a Chapa 1 e seus integrantes desejando um bom mandato. Fico torcendo para que a ética esteja sempre presente de modo que o sindicato não seja palco de trampolim político nem de pirotecnias arrogantes ou embustes teatrais.
Para os meus queridos amigos e professores da Chapa 2, deixo público um beijo carinhoso e digo que sinto orgulho de todos os senhores e senhoras. Vocês mantêm vívidos, em mim, o desejo de sonhar. E, retornando ao primeiro parágrafo, isso move a minha vida…
Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra, mestre e doutor em Saúde mental e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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