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José Maria Philomeno: A recuperação da indústria é crucial

Após anos de profundo declínio e estagnação, recentes dados aferem que diversos setores da indústria nacional experimentaram leve recuperação em 2017, ritmo este de alta mantido em janeiro deste ano.
Em média, a produção industrial fechou 2017 com crescimento de 2,5% na comparação com 2016. É o primeiro resultado anual positivo desde 2013, segundo dados do IBGE.
E o desempenho mais significativo foi na categoria de bens duráveis, com destaque para a indústria automobilística, que cresceu 17,2%.
Melhora esta que podemos atribuir ao avanço da confiança empresarial, que ajudou a impulsionar a fabricação de bens de capital, enquanto o aumento na ocupação, a inflação mais baixa e a queda na taxa de juros impulsionaram a produção de bens de consumo duráveis.
Contudo, se mantido estes ritmos, só em 2022 recuperaremos as perdas acumuladas entre 2013 e 2016 (-16,7%).
Esta questão da crise na indústria nacional é muito relevante. Nenhuma economia em país da magnitude do Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes, se desenvolve sem uma forte presença da indústria. É o setor de transformação o grande impulsionador da geração de riqueza, empregos e avanços tecnológicos, sem os quais ficaremos indefinidamente fadados a meros fornecedores de matérias primas primárias. Ou seja, sem agregação de valores que enriqueçam a renda nacional, e cada vez mais dependentes da volatilidades das economias pujantes, como a chinesa, por exemplo.
Os governos anteriores cometeram o crime de aniquilar a indústria nacional, que vinha desde meados da década de 90 evoluindo em competitividade e presença no cenário mundial. Mas as desastrosas e irresponsáveis políticas de sobrevalorização de nossa moeda, e de incentivo à importação desenfreada – até de bens de consumo duráveis -, nos levaram a um trágico processo de desindustrialização.
Nos últimos 10 anos foram mais de 5 milhões de empregos perdidos na indústria. Setores como o têxtil e de brinquedos foram praticamente devastados. Além da China, até o vizinho Paraguai tem se beneficiado, com diversas indústrias lá se instalando para atender o mercado brasileiro. A participação do setor industrial em nosso PIB, que era de 21% em 2003, reduziu-se a casa de irrisórios 8%.

É, portanto, imperativo a recuperação e retomada do protagonismo da indústria em nossa economia. São muitos os obstáculos: a tributação abusiva, o excesso de regulamentação, a ineficiente infraestrutura logística, a insuficiência de estímulos à inovação, e etc. Contudo, o mais crucial é a falta um plano nacional que abranja vários atores capazes de trabalhar em conjunto, incluindo governo, iniciativa privada, sociedade e terceiro setor. Enquanto isso não for feito, o Brasil continuará atrasado na corrida em direção ao desenvolvimento.

pab

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