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A Fada do Dente e minha netinha Letícia. Por Arruda Bastos

O primeiro dente de leite da minha netinha Letícia caiu essa semana, como acontece com toda criança da sua idade. A “porteirinha” que ele deixou foi bem na frente, na arcada inferior.  No caso da Lelê, ela precisou da ajuda de uma odontopediatra, sua tia Ana, pois, apesar de mole, o dente teimava em não cair. Foi um procedimento perfeito, não doeu nada e Letícia conta tudo com alegria. Se estivéssemos no meu tempo de menino, era só pegar uma linha e puxar em casa mesmo, mas hoje tudo é mais moderno.

Lembro que, há algumas semanas, Letícia, sempre que passava aqui em casa, mandava eu e Marcilia olhar seu dentinho que estava mole e balançar para ver se ele caia. Para toda criança, a queda do primeiro dente gera muita expectativa, principalmente porque, para elas, esse momento é incerto e no seu raciocínio infantil existe dúvida se vai doer ou não. A criança também percebe que está crescendo e que seu corpo se encontra em desenvolvimento.

No colégio onde estuda ela já tinha várias coleguinhas com suas “porteirinhas”, e até citou a da sua amiguinha Fernanda. Lelê era louca de vontade de ter algum dente mole para, depois, ostentar a sua tão sonhada “janelinha” também. Depois do fato consumado, Letícia  não para de observar, como um troféu, a sua “porteirinha” e também a dos colegas e incentiva os que ainda não tem a providenciar o mais rápido possível, mesmo que, para isso, seja necessário se socorrer também da sua tia Ana.

Voltando no tempo, lembro que meus irmãos e filhos, quando tinham a idade da Letícia, passaram pela mesma ansiedade. A diferença era que quando o dente de leite demorava a cair e o definitivo já estava entramelando, minhas queridas mãe e esposa pegavam uma linha e, distraindo o pimpolho com alguma conversa mole, puxava o dente de uma vez, retirando o teimoso rapidinho. Depois do susto, era tudo alegria e a festa geral.

A felicidade das crianças só se completava com a tradicional oração que dizia assim: “Mourão, Mourão, toma seu dente podre e me dá um são”. Assim, acreditávamos que o novo dente nasceria rápido e bonitinho. A frase deveria ser recitada ao mesmo tempo que se jogava o dente no telhado de casa. Os meus estão distribuídos na casa em que morei em Fortaleza e na dos meus avós no município de Baturité.

Mas e a Fada do Dente da Letícia, como fica? Aqui eu vou ter que explicar que a lenda diz que quando uma criança perde um dente de leite, deve deixá-lo embaixo do travesseiro para que, durante a noite, uma fada o leve e, em troca, deixe uma moeda ou um presente. Essa lenda teve origem no folclore da Europa Ocidental, uma vez que, em um passado longínquo, acreditava-se que os dentes deveriam ser guardados ou queimados para que não caíssem no poder de feiticeiras.

A Fadinha, atualmente, tem outra conotação e sempre é muito camarada, ela assume a magia, a emoção e a mente fértil dos pequenos. Celebrar sua tradição é, para muitas famílias, a maneira de comemorar o crescimento de nossas crianças. Para os netinhos, a troca de dente por um presente é a forma de marcar esse momento para sempre e é exatamente assim que estou a recordar desse tempo de fantasia.

É muito importante também aproveitarmos a oportunidade para orientar as nossas crianças para o cuidado com os dentes, desde os de leite, para que tenham sempre dentes saudáveis e para que a dentição permanente se desenvolva corretamente.

Arruda Bastos é médico, professor universitário, ex-secretário da Saúde do Ceará, um exímio atirador de dentes nos telhados e um avô dedicado e amigo dos seus netinhos.

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://www.portalarrudabastos.com.br

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