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Régis Barros: Meu apoio ao Professor Elisaldo Carlini

De fato, o Brasil vive um retrocesso cruel e nefasto. Estamos andando de macha à ré. Estamos ano-luz atrás daquilo que é aceitável. Quando o Professor Carlini, professor e cientista mundialmente respeitado, é convocado a depor sob a denúncia de “apologia ao crime”, chegamos a conclusão de que tudo está equivocado. O Professor Carlini é um dos pioneiros sobre a discussão científica da maconha bem como suas relações com questões sociais. Inclusive, ele traz, nos seus ensinamentos, o entendimento de que a questão da maconha transcende o universo médico. Realmente, se alguém quiser discutir as questões da maconha usando, exclusivamente, a tela médica, o resultado será reducionista, visto que, estamos diante de um evento muito maior. Há questões medicinais quando falamos do uso da maconha em tratamentos de saúde. Há questões sociais, com enfoques na violência, quando discutimos a maconha no contexto do binômio usuário-narcotráfico. Há questões de prevenção quando analisamos os problemas de manter a maconha criminalizada. O Professor Carlini foi pioneiro em tudo isso. De forma corajosa e revolucionária, ele trouxe a público essas reflexões. Ele também conseguiu se colocar, cientificamente, com propriedade de modo que suas publicações e conferências sobre a maconha são um bálsamo em meio a tanta cegueira e a tanto conservadorismo. As entidades médicas deveriam, em peso, repudiar tal intimação. Todas, sem exceção, deveriam expor o repúdio a essa atitude com notas públicas a imprensa. Mas, infelizmente, algumas delas são tão conservadoras que até parecem instituições medievais. A justiça deveria se desculpar publicamente. O Ministério Público deveria ler a bibliografia do Professor Carlini e, a partir disso, fazer uma autocrítica sobre a referida intimação. Dentre as várias funções do cientista, ressalto que a capacidade de pensar, quebrando paradigmas, é uma das mais importantes. Em meio as trevas e ao obscurantismo, promovido por muitos atores e instituições médicas e não médicas, o Professor Carlini joga um canhão de luz e acaba por nos iluminar. Usando de seu carisma, conhecimento e da sua humildade, ele desperta em todos nós, que o admiramos, esse desejo de mudança e de inquietação, sobretudo quando estamos diante do equivocado em termos científicos. Portanto, finalizo essa reflexão expressando, publicamente, meu apoio ao Professor Carlini. Como bem dito por Umberto Eco, “nem todas as verdades são para todos os ouvidos”. Continue falando verdades estimado Professor Carlini.

Régis Eric Maia Barros é Médico Psiquiatra, mestre e doutor em Saúde Mental

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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