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José Maria Philomeno: O genocídio do povo sírio

O recente ataque com emprego armas químicas (agentes neurotóxicos) deflagrado pelo regime do ditador Bashar al-Assad contra a população civil síria, causando mais de 40 mortes e pelo menos 500 feridos – fato que culminou, por represaria, no bombardeio comandado pelos Estados Unidos, Reino Unido e França dos centros de produção e armazenamento de armas no território sírio-, é mais um fatídico capítulo deste verdadeiro genocídio que o povo sírio tem sofrido desde o início desta sangrenta guerra civil.
Tudo teve início em 2011, com a deflagração de protestos que seguiam uma tendência da região, que, naquele momento, viu florescer a Primavera Árabe, como ficaram conhecidos os movimentos civis espontâneos contra os governos totalitários e corruptos que dominavam o Oriente Médio e o Norte da África há décadas. Contudo, as forças governamentais sírias reprimiram violentamente os insurgentes, e aproveitando-se então da instabilidade gerada ocorreu o avanço de grupos radicais jihadistas, partidários da “guerra santa” islâmica, como o intitulado Estado Islâmico e a al-Qaeda – que chegaram a dominar partes dos territórios sírios e iraquiano, praticando métodos e execuções de extrema barbaridade que chocaram o mundo.
Mais que as questões internas, o conflito sírio tomou proporções enormes com a entrada de potências militares. De um lado os Estados Unidos e nações europeias, combatendo tanto o regime sírio como também o Estado Islâmico – cuja presença representa uma ameaça para toda a região árabe -, e, de outro lado, a Rússia e Irã apoiando as forças de Assad.

O resultado é um país devastado, com um custo humanitário descomunal. São mais de meio milhão de vidas perdidas. 6 milhões de sírios (um terça da população) refugiaram-se em outros países e outros 7 milhões encontram-se completamente desabrigados, necessitando de assistência humanitária.

Os cenários de cidades completamente destruídas e milhares de civis bravamente atravessando desertos e mares em fuga da guerra e das perseguições, tem comovido todo o mundo. E é o mais trágico retrato de um genocídio irracional, inaceitável nesta quadra histórica. Não se pode mais, em pleno século XXI, tolerar massacres que remontam às barbares medievais.
O ideal seria um acordo multilateral de pacificação, com interveniência da ONU e participações direta dos vizinhos árabes, para a transição a um novo governo eleito legitimamente e com apoio da maioria da população. Viabilizando, assim, com o suporte financeiro internacional, a reconstrução do país e o retorno dos refugiados, e concentrando-se os esforços militares no combate aos grupos extremistas. Mas, tem-se que literalmente ‘combinar com os russos’, que até agora não demonstram qualquer intenção em rifar do poder o ‘companheiro’ Assad.
Coitados dos irmãos sírios. Que lamentavelmente devem continuar a sofrer e morrer por culpa da sede de poder de tiranos.

José Maria Philomeno é economista e advogado

pab

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