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A música dos embalos de sábado à noite. Por Arruda Bastos

Depois de um longo e tenebroso inverno devido a um grande número de atribuições, no final de semana, a pedido dos meus queridos amigos Evalto e Maria, resolvi aceitar o convite e matar a saudade da sua bela casa na praia de Águas Belas, na Caponga.

O convite que eu e Marcilia recebemos foi tentador, pois outros dois casais amigos também estariam presentes, Benício com Márcia, Batista com Genira e ainda sua filha, Bruna. Era a oportunidade de relembrar momentos de alegria acontecidos há alguns anos.

Aproveitamos, então, o ferido de Tiradentes para um relax total, como há muito não tínhamos. Restava saber se a música que fez muito sucesso no último encontro ainda estaria presente no repertório do amigo Batista, grande violonista e compositor.

A noite chegou e a esperança daquela bela página musical ser executada crescia. Durante toda a tarde daquele sábado ouvimos a músicas dos grandes compositores do passado: Roberto Carlos, Jovem Guarda e sambas renomados. Mas, e a linda composição, a letra melodiosa, a grande atração do final de semana não seria executada?

Maria e Evalto, como sempre, excelentes anfitriões. Prepararam tudo com muito esmero, um quarto aconchegante para cada casal, petiscos, bebidas e refeições dignas de marajás. Minha rede, cadeira cativa na varanda com vista para o mar a balançar com a brisa refrescante. Tudo uma perfeição.

Entretanto, estava faltando a música inspiradora das nossas mais lindas emoções. Seria possível supor que passaríamos a noite sem o viagra afrodisíaco daqueles acordes emocionantes? O tempo passava e nada. A Lua já estava alta no belo céu estrelado e a ansiedade era geral.

Evalto, Benício, Maria e Marcilia já tinham perdido as esperanças. O único que ainda estava firme era eu, pois, no último encontro do nosso grupo foi de minha autoria o pedido para o músico Batista retirar do fundo do baú e cantar a magnífica música que é a protagonista da minha crônica de hoje.

E não é que eu tinha razão: um pouco antes da meia-noite escutei saindo do melodioso violão de sete cordas do nosso amigo compositor o som que todos ansiosamente aguardavam. Foi uma alegria geral e agora a noite estava completa, poderíamos todos sair para os nossos leitos de amor e passar a madrugada de domingo embalados pela bela composição de Geraldo Nunes “A véia debaixo da cama”.

Para concluir, digo que o importante mesmo é a amizade, a alegria e as brincadeiras sadias e descompromissadas dos amigos, o amor dos casais e a certeza que, em breve, voltaremos a nos reunir para novos concertos musicais como o desse final de semana. A nossa música dos embalos de sábado à noite na praia de Águas Belas agora já se transformou em tradição.

Arruda Bastos é médico, professor universitário, membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores e no caso de hoje um grande gozador.

Escute a música: https://youtu.be/5O8me3FrS8o

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://www.portalarrudabastos.com.br

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