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José Maria Philomeno: Paz nas Coreias ainda é uma ilusão.

Palco de tensões geopolíticas e militares que perduram há sete décadas, a península coreana mais uma vez chamou a atenção mundial com o histórico encontro entre os líderes das duas coreias, ocorrido na última sexta-feira, 27/04. A emblemática cena do ditador norte-coreano, o excêntrico Kim Jong-um, atravessando a fronteira com o Sul e apertando a mão do presidente sul-coreano, e, ainda mais, sua declaração que não pretende mais realizar testes nucleares e balísticos e que vai desmontar sua instalação de provas nucleares, buscando a partir de agora priorizar o crescimento econômico, sinalizou que se está mais perto que nunca de um provável acordo de paz que ponha fim à guerra que nunca terminou formalmente entre os dois países.

Caso concretizado, este seria um feito de enorme magnitude. Implicaria não só na distensão política e militar entre os dois países – abrindo caminho para a sonhada convivência harmoniosa entre os povos coreanos-, mas, também, ultimar um dos mais preocupantes temores que assombram o mundo: da possibilidade catastrófica de uma guerra nuclear, que teria consequências devastadoras. Um risco aberto pelo domínio da balística nuclear pelo atual regime tirânico norte-coreano.
Vejo este acordo de paz com muito ceticismo. Difícil acreditar que o regime que há décadas vem empreendendo todos os sacrifícios econômicos para desenvolver seu multibilionário programa nuclear bélico – inclusive com mísseis intercontinentais -, resistindo inclusive às duras sanções dos organismos internacionais e às ameaças das potências ocidentais, abriria mão de tudo de uma hora para outra.
A postura mais dura do presidente norte-americano, Donald Trump, enfatizado que reagirá militarmente contra qualquer ação provocativa não me parece, por si só, justificar esta suposta guinada radical dos norte-coreanos.
O até então intransigente Kim Jong-um, demonstra, a meu ver, adotar a mesma estratégia de seu antecessor e pai, o ditador Kim Jong – il, que por vezes reuniu-se com os sul-coreanos – como nas cúpulas de 2000 e 2007-, encenado intenções de buscar a paz e a desmilitarização. Objetivando sempre, e tão somente, iludir o ocidente – e agora também os chineses-, para ganhar tempo para desenvolver seu arsenal militar, barganhar mais auxílio financeiro e amenizar as sanções econômicas.

A paz deve ser sempre uma meta inarredável, mas a história tem provado que não se pode buscá-la a qualquer custo. Episódios como o Acordo de Munique, celebrado em 1938, em que a Alemanha de Hitler e a Itália e Mussolini pactuam a paz na Europa com Inglaterra e França, é um exemplo histórico de que jamais pode-se transigir e confiar em déspotas.

José Maria Philomeno é economista e advogado

pab

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