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Régis Barros: Escuridão ética

Sempre que a ética falta, a luz se esvai. É fato. Sem ética, o crepúsculo toma conta de tudo e, na calada do escuro, tudo se torna possível. Abusos e intransigências passam a não ser problemas. Extermínios e truculências, movidos pela lei do mais fortes, podem se tornar regras. Exclusões e preconceitos são aceitos. Sem a luz da ética, há animalização. O ser humano embrutecido vai construindo seus desvios. Por isso, eu defendo que todos nós precisamos nos iluminar com a correição do justo e do certo. Todos nós precisamos da introjeção da correição ética. Ao nos iluminarmos, poderemos bombardear o mundo com cores e luminosidade. Não tem jeito! Costumamos ficar amedrontados no escuro da ausência da ética, todavia nos esquecemos que muitas vezes nós mesmos apagamos as luzes. Nós mesmos preferimos a penumbra. Nós mesmos queremos ser animais das trevas as quais se propagam com a falência ética. Isso é bem interessante, visto que, muitos filmes de terror clamam que seus personagens caminhem em direção da luz. É na luz que haverá a salvação. Nessa analogia que fiz com a ética, isso se aplica por completo, ou seja, é na luz da ética que poderemos salvar esse mundo moribundo. Infelizmente, tendemos a nos afastar da luz e acabamos por caminhar nesse submundo dos desvios éticos. O maior trunfo do ser humano, frente ao mal e ao caos, é a luz da ética. Por isso, entendo que o maior presente, na grande jornada da trilogia do Senhor dos Anéis, foi aquele ofertado por Galadriel ao Frodo Bolseiro. Ela ofertou luz, portanto, a meu ver, ofertou ética. Ela assim disse ao presenteá-lo: “que haja uma luz nos lugares mais escuros, quando todas as outras luzes se apagarem”. Desse modo, desejo para todos muita luz e discernimento sempre que a escuridão ética quiser te tocar.
Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra, mestre e doutor em saúde mental

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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