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José Maria Philomeno: As más lembranças da Copa

Amanha, 14/06, dar-se-á o pontapé inicial do maior evento esportista do planeta: a Copa do Mundo de Futebol, que neste ano será disputada na Rússia. Além de atrair a atenção e entusiasmo de bilhões de torcedores do esporte mais popular do mundo, a Copa, realizada a cada quatro anos, representa tanto para o país que a sedia como para as demais nações participantes, e a empresas e corporações globais, significativas oportunidades econômicas e mercadológicas. Que, se bem aproveitadas, podem deixar legados duradouros na infraestrutura, nos negócios e na boa imagem do País no exterior.

Lamentavelmente, para nós brasileiros, este momento só nos faz lembrar o quanto a Copa passada nos foi traumática. Tanto em face dafrustração em relação à enorme expectativa dos 200 milhões de brasileiros que sonhavam emvibrar e ver o Brasil levantar o ‘caneco’ jogando em casa, mas que, por fim, tiveram que amargar as vexatórias derrotas por 7 a 1 e 3 a 0 para a Alemanha e Holanda respectivamente.

Como, também, pela constatação de que as promessas dos governantes de então, de que a Copa nos encheria de orgulho e deixaria incontáveis legados em estádios ‘padrão FIFA’, namodernização da mobilidade urbana, das comunicações e da acessibilidade digital (chegou-se a cogitar wi-fi universal e gratuito nas cidades sedes), etc. Se traduziram, de fato, em centenas de bilhões de reais em recursos públicos desviados em obras superfaturadas e inacabadas. Com quase todos os estádios construídos ou reformados transformados em verdadeiros elefantes brancos ociosos, a consumirem mensalmente milhões do erário.

Sem contar as centenas de bilhões em prejuízos suportadas pela indústria, comércio epelos fiscos, além da interrupção da prestação de serviços públicos básicos, em razão da farra de feriados decretados durante a Copa. Muitas cidades, como a nossa Fortaleza, chegaram ao cúmulo de instituir feriados gerais simplesmente para aliviar a tráfego de veículos aos estádios.

Fatos que envergonharam a reputação do País mundo a fora, além de contribuir em demasia com a degradação das finanças do Tesouro Nacional. Corroborando, assim, em demasia com a grave recessão que em seguida acometeu a economia nacional.

A Copa de 2014, portanto, é uma lição a ser aprendida. De que não se pode ‘farrear’ com o dinheiro público. E, de que, não é promovendo ‘festas globais’ que se estará construindo uma imagem positiva do País e muito menos se elevando, desta maneira, a autoestima de nosso povo.

José Maria Philomeno é economista e advogado

pab

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