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José Maria Philomeno: Futebol e política

O atual período de Copa do Mundo contagia ainda mais toda a paixão que o futebol desperta no povo brasileiro. Escolas, repartições e empresas têm seus expedientes alterados. Deixa-se de estudar e trabalhar  para que a nação se concentre numa efervescente e unida torcida pela seleção. Momento em que todos abdicam de suas diferenças religiosas, políticas, clubisticas e pessoais, numa comunhão indissolúvel em prol do grito de gol do Brasil.

Este reflexo cultural e comportamental derivado desta paixão repulsa também na atividade política. Muitos são os exemplos em nossa história de dirigentes desportivos e de ídolos dos campo que – tão somente pela idolatria e gratidão aos feitos futebolísticos conquistados-, tiveram seus nomes sufragados nos pleitos eleitorais. Nesta situação destacamos o atual presidente do Corinthians, o deputado federal Andres Sanches (SP), e um que dispensa apresentações: o senador Romário (RJ).

Mas não são só os torcedores/eleitores que mesclam esporte com política – o que na maioria das vezes reflete a descrença e decepção com os políticos tradicionais. Os próprios regimes políticos, em muitos países e ocasiões, se valeram do esporte para autopromoção. Na fascista Itália de Mussolini, na Alemanha Nazista, e nos regimes comunistas cubano, soviéticos e do leste europeu, por exemplo, toda a glória esportiva era convertida em capital simbólico para o Estado.

E no Brasil não foi diferente. Já era possível observar o futebol como massa de manobrapolítica na Era Vargas. E do quanto foi latente a carona que o Regime Militar tomou na conquista do Tricampeonato em 1970. Tanto que o hino daquela conquista: “Pra frente Brasil”, acabou virando a música de propaganda do regime militar. E na esteira do entusiasmo da vitória frases de caráter nacionalista e xenófobo inundaram as mídias brasileiras, como “a seleção é a pátria de chuteiras”; “ninguém mais segura este país” e “Brasil, ame-o ou deixe-o”.

O próprio Pelé chegou a ser garoto propaganda e teve seu nome vinculado a um projeto educacional, o Plano Pelé para a Educação, no qual parte da arrecadação da loteria era destinada à construção de escolas.

Mas ídolos do esporte também contribuíram politicamente no sentindo inverso. Como o saudoso ‘Doutor Sócrates, que em 1984 chamou atenção, principalmente por meio da participação em comícios, para o movimento que buscava as eleições diretas para a presidência.

E, tal qual o futebol, a política tem nos últimos tempos trazido muita desalento ao povo. Tivemos a vergonha do 7 a 1. E na política  aos desastrosos governos Dilma/Temer  com escandalosos casos de corrupção.

José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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