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Diminui para 5,6% índice de fumantes em Fortaleza

A névoa densa se desfaz no ar, depois de um sopro esbranquiçado vindo dos pulmões. Em seguida, mais um trago prepara a próxima nuvem de fumaça. Em Fortaleza, não é incomum encontrar bitucas de cigarro assentadas no asfalto – ou ainda na boca dos usuários, em paradas de ônibus, carros e outros espaços. A cidade tem percentual de fumantes de 5,6%, conforme a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2017, realizada pelo Ministério da Saúde. O índice é o melhor resultado das últimas seis edições do levantamento.

A pesquisa mostra que os homens fortalezenses fumam mais que as mulheres. Entre eles, o percentual é de 8,8%; entre elas, de apenas 3%. A Vigitel 2017 também revela que a taxa da população acima de 18 anos que fuma 20 ou mais cigarros por dia caiu para 0,8%, depois de permanecer nos 2% em 2015 e 2016. Segundo a pesquisa, a frequência de fumantes tende a ser menor entre os adultos jovens, antes dos 25 anos de idade, e entre os adultos com 65 anos ou mais. A frequência do hábito de fumar diminui com o aumento da escolaridade.

No interior dos domicílios, 8,8% dos entrevistados de Fortaleza informaram que pelo menos um dos moradores do domicílio tem o hábito de fumar dentro de casa – em 2016, esse percentual era de 9,2%. A estatística também decai quando o assunto é ambiente de trabalho: em 2017, 6,4% dos entrevistados relataram conviver com colegas fumantes, contra 7,6% no ano anterior.

Passivos

Os não-usuários acabam expostos aos mesmos riscos dos fumantes, pois, segundo o Ministério, o fumante passivo inala a mesma quantidade de poluentes a que os fumantes estão submetidos. Cada filtro de cigarro encerra, em suas paredes de papel, pelo menos 4.700 substâncias, dentre as quais elementos de pesticidas e produtos de limpeza. Conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o tabagismo é responsável por doenças pulmonares crônicas, como bronquite e enfisema; por diversos tipos de câncer, sendo mais recorrente os de pulmão, boca e laringe; por doenças coronarianas, tais quais angina e infarto, e por doenças cerebrovasculares, como o acidente vascular cerebral (AVC).

Por extensão, ainda é fator de risco para o desenvolvimento de infecções respiratórias, úlcera gastrointestinal, impotência sexual, infertilidade e osteoporose, dentre outras doenças. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também projeta que, se a tendência de consumo atual perdurar, em 2030, o tabaco matará cerca de 8 milhões por ano, 80% delas em países da baixa e média renda. No Brasil, doenças causadas pelo tabagismo são responsáveis por 200 mil mortes anuais, segundo o Ministério da Saúde.

Saúde

Lucilânia Silva, assessora técnica de Asma e Tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS), descreve que a maioria dos atendidos na rede de apoio relata que começou a fumar por ansiedade ou “achava bonito, era moda”. Ao optarem por parar, primeiro, eles alegam a necessidade de cuidar melhor da saúde; depois, para atenderem a pedidos dos familiares.

Em toda a cidade, grupos de tratamento intensivo ao fumante ocorrem em 25 Unidades de Atenção Primária à Saúde (Uaps), em diversas regionais, e no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps-AD) do Papicu. “Primeiro, é realizada uma busca ativa de quem quer parar de fumar; então, a pessoa vai para a triagem e passa por um teste para se verificar o grau de dependência”, detalha Lucilânia Silva.

Conforme a assessora técnica, é necessário mesclar os grupos de apoio entre os diversos graus. “Num com somente fumante fortes, a tendência é ser um fracasso. Mas, quando se misturam os fortes com um de grau menor, a probabilidade de sucesso é maior porque eles começam a se incentivar”, explica.

O grupo trata o uso tanto pela via emocional quanto pela medicamentosa. Na rede estadual de saúde, as referências são os Programas de Controle do Tabagismo do Centro de Saúde Meireles e do Hospital Doutor Carlos Alberto Studart (Hospital de Messejana). A participação se dá por meio de inscrições, que são abertas em algumas ocasiões do ano.

Abstinência

Após a triagem, o paciente passa a fazer parte de um grupo de apoio no qual é realizado o tratamento, baseado na abordagem comportamental e terapia medicamentosa. O tratamento tem taxa de abstinência tabágica de 48% em pelo menos um ano.

Além desses, desde 2015, o projeto Inspira Ação, do Ambulatório de Saúde Mental do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), da UFC, também atende a pacientes adultos que desejam parar de fumar. O tratamento dura, em média, de três a seis meses. Para participar, o fumante tem que ser maior de idade, desejar largar o cigarro e ser encaminhado pela rede de saúde pública.

Fonte: Diário do nordeste

pab

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