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Minha filha passou de Xuxa a Super Mãe. Por Arruda Bastos

Minha crônica de hoje completa meus escritos dedicados aos quatro filhos. A protagonista principal desse “grand finale” é Xuper especial e, com ela, nesse astral, encerro com chave de ouro a saga que denominei com muita emoção de “As cordas do meu coração”, haja vista que é assim que considero meus lindos e abençoados pimpolhos: como parte do meu Ser e minhas eternas crianças.

A hoje intitulada “super mãe”, no passado, foi uma sapeca menina apaixonada pela Xuxa; uma adolescente vidrada em Renato Russo; uma jovem de olhos brilhantes, de rara inteligência e com uma personalidade ímpar, tudo muito precoce. Talvez por isso tenha frequentado, em algumas oportunidades, o meu divã nos passeios de carro pela orla marítima de Fortaleza, sempre com a finalidade de batermos um papo de pai para filha.

Na sua fase Xuxa, recordo de um “Xow” no Castelão. Fui sozinho com ela, pois minha amada Marcilia estava de resguardo da Livinha. A linda e pequenina fã da artista e de suas Paquitas trajava um macaquinho típico dos modelitos usados na época. Ao som de Tindolelê, ela cantava “Todo mundo tá feliz? Tá feliz! Todo mundo quer dançar? Quer dançar! Todo mundo pede bis; Todo mundo pede bis/ Quando para de tocar/ Mais um! Mais um!”. Não parava de dançar. Eu ficava orgulhoso da desenvoltura e da sua graça que chamava a atenção de todos. Lia era uma criança incrível.

Logo cedo e já nos primeiros anos de colégio, passou a demonstrar toda a sua liderança comandando suas turmas. Participava de eleições de grêmios e de líder de sala e sempre apresentava propostas muito progressistas que conquistavam os votos dos colegas. Nessa época, fiquei empolgado e acreditando ter encontrado meu herdeiro na política. Quando ela subiu em um palanque na campanha do Inácio Arruda a prefeito de Fortaleza, em 1996, fiquei ainda mais convencido da sua força, principalmente depois do seu contagiante discurso voltado para a juventude.

A política, entretanto, não a seduziu, pois a sua praia mesmo foi seguir a minha profissão. Cursou Medicina de forma brilhante, contando com o apoio do seu namorado, colega de turma e futuro esposo. Foi uma época de muito estudo e de muita saudade, uma vez que ela escolheu a internacional Sobral, e depois os Estados Unidos, para concluir seu curso. Acredito que só não sinta falta do pensionato da Arquidiocese com sua rigidez de horários e alimentação, mas tudo foi importante para o seu crescimento e seu futuro profissional.

O tempo passou; Lia tornou-se competente pediatra e depois excelente nefropediatra na terra da garoa. Em Sampa, casada há 7 anos com o seu amado companheiro, engravidou da minha primeira neta e foi aí o início da sua nova fase, agora de mãe. Digo que o nascimento de Letícia foi uma das maiores emoções que tive na vida. Com minha netinha e Gerardo, voltou para Fortaleza afim de exercer sua especialidade médica. Pouco depois, engravidou do Levi, e, com os dois filhos, com o retorno ao trabalho, com as aulas das crianças e tudo mais, passou a merecer o ilustre título de “super mãe”.

Lia é uma filha exemplar, carinhosa e sempre preocupada com a nossa família; uma irmã amiga, presente e parceira de todos os irmãos; uma esposa dedicada e amorosa e uma mãe inigualável no cuidado e criação dos filhos. Uma Xuper mãe. Desejo tudo de bom nessa data tão especial em que comemora mais uma primavera. Que Deus a ilumine sempre.

Termino a minha saga “As cordas do meu coração” com um trecho de Renato Russo na musica “Pais e filhos”: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.

Renato Russo em Pais e Filhos:

Arruda Bastos é médico, professor universitário, membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, ex-secretário da Saúde do Ceará e um pai apaixonado pela sua família.

pab

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