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José Maria Philomeno: A importância suprema das reservas cambiais

Em maio passado nossa vizinha Argentina foi forçado a busca auxílio de US$ 50 bilhões junto ao FMI para socorrer-se de mais uma grave crise cambial. Nem a elevação da taxa básica de juros para mais de 40% foi suficiente para conter a evasão de dólares, levando as reservas cambiais aos menores níveis desde a crise de 2001, e à desvalorização de mais de 30% do Peso Argentino.   

Atualmente temos assistido ao agravamento da crise cambial na Turquia. A Lira Turcaacumula mais 40% de desvalorização este ano, em grande parte devido às preocupações com a baixa liquidez do Tesouro para cumprir compromissos externos.

Os efeitos colaterais são os mesmos observados na Argentina: elevação drástica dos juros e por conseguinte da inflação, além, é claro, da deterioração da credibilidade junto aos investidores.

As causas de ambas as crises também são semelhantes: intensos desequilíbrios nas contas públicas. A Turquia tem o maior déficit em conta corrente do G-20. Já a Argentina acumula há anos saldo deficitário de mais de 5% do PIB em sua balança de pagamentos, e o déficit fiscal anual é na ordem de 10%. Níveis insustentáveis para qualquer economia.

Não obstante todas estas crises afetarem negativamente as economias emergentes, causando uma espécie de ‘efeito dominó’, já que provoca a fuga das moedas mais fracas pelos investidores, o Brasil apresenta circunstâncias conjunturais distintas, o que nos afasta – pelo menos no curto prazo-, de sofrermos crises destas magnitudes.

O que ocorre na Argentina e na Turquia tem exposto a vulnerabilidade de economias muito dependentes dos capitais estrangeiros – o que não é o nosso caso. A parcela em dólar de nossadívida é extremamente baixa, não chega a 3% – somos até mesmo credores em dólar, ou seja, quando a moeda americana sobe, a dívida do país cai.

E temos ainda a ampla proteção de um colchão de US$ 380 bilhões em reservas cambiais. O que nos permite atravessar qualquer crise internacional ou ataque especulativo sem corrermos qualquer risco de suspeição de nossa capacidade de adimplemento.

Muitos chegam até a defender que nossas reservas estão muita acima do necessário, sustentando que parte poderia ser gasta com investimentos públicos, como propôs o ex-presidente Lula em 2015 no auge da recessão econômica ideia pronta e sabiamente rechaçada pelo então presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.  

Mais recentemente o candidato a presidente Ciro Gomes declarou que caso eleito poderia utilizar parte das reservas internacionais para pagar a dívida interna, como forma de conter os gastos públicos com juros.

Entendo extremamente perigosa qualquer iniciativa neste sentido. Reduzir as reservas deixando o país com o colchão de segurançamenor seria um sinal ruim para os mercados. Uma verdadeira demonstração de fragilidade e de incapacidade de lutar por um superávit maior nascontas públicas.

Como se diz popularmente em relação à saúde, reserva cambial nunca é demais, quanto mais a temos, melhor.

José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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