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José Maria Philomeno: Razões da alta do dólar

A recente escalada de aumentos da cotação do dólar em relação ao real, que neste mês de agosto já supera mais de 10% de alta, tem causado muita apreensão e incertezas. Visto que o valor da moeda estrangeira afeta diretamente os preços da economia, acometendo assim a todos positiva ou negativamente, de forma quase indiscriminada.

Como todas as commodities internacionais estão vinculadas à moeda americana, a alta do dólar – além dos serviços e mercadorias importadas, majora, também, os preços dos produtos derivados do petróleo, trigo, milho,fármacos, etc. Pressionando o índice inflacionário e afetando o bolso de nós consumidores.

Da mesma forma compromete a capacidade de investimentos e a liquidez das empresasendividadas em dólar, que tomaram empréstimospara aumentar sua oferta. E aquelas pessoas físicas que utilizaram cartão de créditointernacional, e que certamente terão suas viagense cursos planejados no exterior encarecidos.

Por outro lado, a alta beneficia os exportadores e favorece o fluxo interno de capitais, já que torna mais barato os ativos nacionais aos investidores estrangeiros. Sejam para aplicações financeiras ou aquisição de empresas brasileiras.

Portanto, todas estas consequências levam à interrogação do que faz o dólar a flutuar tanto. Tecnicamente a taxa de câmbio segue a regra básica da economia e varia de acordo com a oferta e a demanda de duas moedas. Por exemplo, o preço do dólar no Brasil depende da oferta de dólares por aqui, mas depende também do interesse de estrangeiros em comprar reais. Quando a procura por real é grande, é a moeda brasileira que se valoriza. Quando as pessoas querem vender reais, o dólar é que sobe.

Contudo, o real também é influenciado pelo interesse no dólar e é essa uma das explicaçõesmais usada para a alta recente. Pois, o bom desempenho  apresentado pela economia americana leva à expectativa de aumento de suataxa básica de juros, o que significa que os investimentos feitos nos títulos do tesouro dos Estados Unidos vão render mais. Logo, investir lá passa a ser mais atrativo e para isso é preciso ter dólares.

Entretanto, o fator mais preponderante que justifica esta atual trajetória de alta da moeda norte-americana está ligado, principalmente, à desconfiança de investidores em relação ao cenário eleitoral brasileiro. Visto que as recentes pesquisas eleitorais não registram a expectativa de vitória de um candidato comprometido com asreformas estruturais, às quais o mercado enxerga como vitais para uma recuperação sustentável da economia.

A especulação cambial é comum durante períodos eleitorais. Principalmente quando os cenários restam incertos e projetam mudanças substancias. Assim como ocorreu em 2002 quando a cotação do dólar elevou-se quase 80% no período eleitoral, em face do ‘fator Lula’, agora, em 2018, a taxa de câmbio ainda passarápor muitas turbulências, antes e depois das eleições.    

José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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