Home > Colunistas > José Maria Philomeno: Museu Nacional: descaso, tragédia e crime.

José Maria Philomeno: Museu Nacional: descaso, tragédia e crime.

 As terríveis cenas do último domingo (02/09) à noite, do Museu Nacional ardendo em chamas chocaram todo o mundo.

Assim como milhões de brasileiros me comovi profundamente, tomado por um sentimento de lástima e revolta em vista à bárbara agressão desferida a um patrimônio público de imensurável e inestimável valor material e imaterial.

Uma árdua dor pela certeza da aniquilação definitiva e irreparável de parcela considerável denossa riqueza histórica, científica e cultural. O Museu de mais de 200 anos foi a residência oficial da família real brasileira até o final da monarquia, sendo também o quinto maior museu do mundo em acervo, dotado este de mais de 20 milhões  de obras de suma importância.

Mas a maior indignação advém da certeza que esta tragédia é fruto da criminosa negligênciadas autoridades públicas, que há décadas relegam a conservação da memória do patrimônio histórico e arquitetônico. As falhas de manutenção, principalmente das instalaçõeselétricas, e a falta de equipamentos adequados para a prevenção e rápido combate a focos de incêndio, levou tanto à este que devastou o Museu Nacional -, como também aos que destruíram nos últimos anos o Museu da Língua Portuguesa, o Instituto Butantan, o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, e o auditório SimónBolívar no Memorial da América Latina. Só para citar os casos mais recentes.

Museus em chamas, bibliotecas entregues às traças e prédios históricos devorados por cupins e desmoronando. É como podemos descrever o estado de calamidade em que se encontram a maioria dos equipamentos de valor histórico no País.

A falta de sensibilidade na atuação governamental e na aplicação dos recursos públicos é criminosa. Políticos que deixam sucumbir ao fogo museus e bibliotecas, enquanto despendem bilhões em obras faraônicas e gastos perdulários totalmente supérfluos e dispensáveis. O saudoso Museu Nacional recebia pouco mais de 40 mil reais mensais (menos da metade da verba de gabinete parlamentar de um vereador de capital).

É um absurdo, é revoltante, é imperdoável o crime que estão cometendo contra nosso maior patrimônio: a preservação de nossos valores, de nossa cultura, conhecimento e história, ou seja: a essência de nossa identidade como povo.

Deixo, enlutado, a mensagem inscrita em lápide na entrada do nosso Museu Nacional. Palavras que soam como um grito de socorro, de uma morte mais do que anunciada:

“Todos que por aqui passem, protejam esta laje, pois ela guarda um documento que revela a cultura de uma geração e um marco na história de um povo que soube construir seu próprio futuro.”

 

pab

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *