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José Maria Philomeno – Hélio Jaguaribe: um otimista pelo Brasil

Perdemos na última segunda feira, 10/09, aos 95 anos, o escritor, jurista e cientista político Hélio Jaguaribe, talvez o último remanescente de uma geração brilhante de célebres intelectuais que marcaram o pensamento progressista e audacioso dos agitados anos 50/60. Ao lado de figuras notáveis, entre os quais, Nelson Werneck Sodré, Darcy Ribeiro e Celso Furtado (estes dois que coincidentemente o antecederam na titularidade da cadeira 11 da Academia Brasileira de Letras).  

Foi um dos fundadores do Ibesp (Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política)com o objetivo de estudar os problemas que a sociedade brasileira enfrentava para ultrapassar o estágio de subdesenvolvimento.

Jaguaribe se notabilizou pelo otimismo no futuro do Brasil, sendo um dos precursores de um projeto desenvolvimentista nacional. Um país até então predominante rural e analfabetizado, só teria, segundo sua perspectiva, um caminho para alcançar o desenvolvimento pleno (político e social, e não só econômico): a construção de um rápido processo de industrialização; a universalização da educação de qualidade em todos os níveis; o domínio científico e tecnológico, e a consolidação de uma democracia com instituições sólidas que respeitem os direitos e a vontade popular.

Manteve atuação acadêmica e intelectual por mais de seis décadas, tendo lecionado em diversas universidades no Brasil e no exterior – onde se radicou por longo período após o golpe militar de 1964. Autor de elaborados estudos sobre as raízes e arcabouço do país e da sociedade brasileira, foram mais de 40 livros e centenas de ensaios publicados. Dos quais podemos citar:O Nacionalismo na Atualidade Brasileira’; ‘Desenvolvimento Econômico e Desenvolvimento Político’ e ‘A dependência político-econômica da América Latina’. Sua derradeira e luminosa obra, os dois volumes sob o título ‘Um Estudo Crítico da História’, de 2001, nos oferece um amplo panorama da história das civilizações

Muitos de seus ensaios levaram seu pensamento à destacada contribuição para processo de desenvolvimento nacional, como o foi “Para uma Política Nacional de Desenvolvimento”, de 1956, que inspirou muitos pontos do Plano de Metas do governo de Juscelino Kubitsheck.

Seu pensamento, mais atual que nunca, é um primoroso legado a ser seguido por nós e pelas seguidas gerações de brasileiros, como incentivo e ensinamentos para trilharmos o caminho do desenvolvimento e da prosperidade.

Em tempos de eleições, quando decidimos o futuro do país, convém lembras algumas das sábias palavras de Hélio Jaguaribe: “Os progressos que dependem de condutores ficam sujeitos a eles e, portanto, podem não ter continuidade (…) O país tem o desenvolvimento que a sua educação lhe proporciona”.

 José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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