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A verdade… Por *Regis Barros

Fiquei refletindo sobre o seguinte questionamento: por que o Bolsonaro teria essa proporção de votos? Ao analisar os movimentos de direita no mundo, percebo que eles, de forma legítima, defendem suas bandeiras ideológicas. Não compactuo com elas, mas respeito a defesa do oposto. No entanto, com o Bolsonaro é diferente. Ele, sabidamente, defende bandeiras ou propaga ideias que são graves. Quando ele fala (revejam os seus vídeos), em 1o pessoa, sobre vários pontos (mulheres, gays, índios, negros, cotas, minorias, eliminação de adversários, direitos humanos, tortura e torturadores), podemos perceber um candidato que diz abertamente o que pensa. Ele não esconde os seus postulados. Ele pensa, exatamente, aquilo. Nenhum candidato da extrema direita mundial, mesmo mantendo a defesa de suas bandeiras, colocou-se da forma como Bolsonaro vem se colocando há vários anos. Nenhum desses candidatos propuseram coisas e se colocaram como o Bolsonaro se coloca. Isso é um ponto importante e determina, inclusive, editoriais em grandes jornais mundiais. Isso me causou incômodo, pois minha questão não são as ideias da direita. Elas são válidas e legítimas por mais que não sejam as que eu defenda, porém fica o seguinte questionamento: preconceito, misoginia, tortura e aniquilação de opositores não são bandeiras de direita, mas sim de regimes totalitários.

O que estaria acontecendo, então?

Alguns dirão que o voto no Bolsonaro seria uma resposta para tirar o PT do circuito. Alguns dizem: “eu não suporto mais o PT”. Posso aceitar isso em parte, mas, infelizmente, passo a avaliar outra justificativa para essa escalada de votos do Bolsonaro. Na verdade, entendo que boa parte da sociedade brasileira, de fato, é conservadora, machista, misógina, preconceituosa e, infelizmente, não pacífica. Portanto, essa proporção de votos dele significa, nada mais e nada menos, a verdade. Muitos defendem e votam no Bolsonaro não por causa do PT, mas sim por simpatizar com tais bandeiras que se misturam com esse nacionalismo exacerbado. Para esses, falar do PT nada mais seria do que uma racionalização. Se essa minha hipótese for verdadeira, resta-me resignar e lamentar por ter a certeza de que a nossa sociedade casa, ideologicamente, com regimes e ideias de exceção e totalitários.

É isso! O futuro me angustia. Já deixei isso claro em todos os meus diversos artigos. Como um defensor árduo da democracia, defenderei quaisquer resultados das urnas, mas, hoje, orgulhosamente, afirmo que o meu antifascismo é maior do que meu antipetismo.

Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra, mestre e doutor em saúde mental

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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