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Tirem as crianças do colo de Bolsonaro! Por *Nêggo Tom

Por vezes, sinto uma energia de ódio espalhada pelas ruas, através de olhares, de atitudes, de comportamentos, de falta de respeito e de empatia com o outro. As pessoas andam estranhas, e por qualquer motivo, por mais banal que seja, querem agir com violência. Eu não sei quem criou o mito de que, “Deus é brasileiro”, mas, tenho a certeza de que ele se equivocou de forma rude. Aliás, criar mitos tem se tornado a especialidade de algumas sociedades, carentes de monstros que representem os seus sentimentos mais nefastos e sigilosos.

A prova de que Deus não é, nunca foi e nunca será brasileiro, e de que a nossa sociedade tradicional, conservadora e hipócrita, chora por um montro para chamar de seu, são os aplausos da multidão que acompanhava um discurso de Jair Messias Bolsonaro, em Goiânia, quando o presidenciável pegou no colo uma criança, de no máximo 2 anos de idade, e a ensinou a fazer o gesto de uma arma, apontando para a mesma multidão que o ovacionava. Alguma dúvida, de que Deus, aqui no Brasil, virou um imigrante considerado ilegal e que seus ensinamentos de amor ao próximo o fará ter o seu visto de permanência cassado, por essa legião de ignorantes “nacionalistas”, que deseja fazer justiça com violência?

É melhor Deus já ir se acostumando. Muitos daqueles que se diziam, ou ainda insistem em dizer, que são seus filhos, estão flertando com o diabo existencial que há dentro de cada um deles. Tudo isso, por obra e graça de um projeto de besta apocalíptica, que se apresenta como o salvador da pátria. Um Messias, que veio para vingar e para fazer justiça da maneira mais irracional possível. Um salvador, que chama as crianças para o seu reino, de um modo covarde e nocivo a elas mesmas. Chega a ser inacreditável!

Eu lamento, por ter pessoas próximas e até parentes, seduzidos pela falácia dessa fera escatológica. Sinto muito mesmo. E chego a vê-los com certa desconfiança, confesso. Que eles me perdoem a sinceridade! Mas, fica cada vez mais difícil de acreditar na inocência de quem ainda segue Jair Bolsonaro. São inúmeros os episódios, onde ele destilou ódio, preconceito, ignorância, violência gratuita, falta de caráter humanitário e fez apologia a tortura. Se isso ainda não foi o suficiente, para que muitos percebessem o que está por trás da figura de Jair Bolsonaro, eu não sei mais o que será.

Usar a inocência de uma criança, para exaltar a sua estupidez e a sua falta de racionalidade, elevando essa criança a condição de “herdeira” de uma ideologia abutre e sanguinária, é um desrespeito a todas as outras crianças e a todos os pais, que procuram educar os seus filhos de forma humana, ensinando-os a respeitar o próximo com suas diferenças e lmitações. Bolsonaro precisa responder judicialmente por mais essa. Ele está incitando crianças a serem violentas e destemperadas como ele. Não é possível que este senhor não tenha noção do que faz e do que representa, infelizmente, a sua figura de parlamentar.

Chego a pensar que os seguidores de Bolsonaro, têm uma pontinha de inveja da Alemanha nazista e querem poder ter o gostinho de reeditar por aqui, as atrocidades que Hitler fez por lá. Quem não pode Auschwitz, vai de qualquer outro cativeiro, que aprisione quem seja contrário a sua ideologia. Não se enganem! Bolsonaro e seu sécto, não desejam apontar uma arma apenas para bandidos. Não! Eles querem poder intimidar, de forma legítima, o vizinho que coloca o som mais alto, o motorista que lhe der uma fechada no trânsito, a mulher que se recusar a ser submissa ou a ficar com eles na balada, o preto que será suspeito de qualquer coisa, o homossexual que passar perto deles, o garçon que não lhes atender muito bem e por aí vai.

Bezerra da Silva, o Freud do samba nacional, explica: “Você com revóver na mão, é um bicho feroz. Sem ele, anda rebolando e até muda de voz” Os covardes precisam de uma arma para se impor, quando os seus parvos argumentos não forem suficientes para convencer. E não são mesmos. Precisarão de um arsenal de guerra para impor respeito, e terem seus posicionamentos, pouco inteligentes, aceitos por qualquer um que tenha dois neurônios funcionando. Mas, que diabos, um candidato que só prega violência, teria para oferecer a uma nação carente de educação, saúde, segurança e dignidade? Uma arma na cintura? Se fosse para que eles se auto executassem, ainda poderia ser de grande utilidade a nação. Mas, infelizemente, não é.

Bolsonaro não quer justiça social, ele quer ver sangue escorrendo. Seja de um culpado ou de um inocente. Ele não tem nenhum projeto para o país. O seu projeto é de poder pessoal. Ele quer oprimir amparado pela lei, segregar através de sua ideologia, intimidar pelas suas ordens e governar com a sua loucura. Após erguer a menina e ensiná-la o gesto que resume a sua plataforma política, Bolsonaro disse a multidão: “Vamos fortalecer a nossa liberdade, vamos conseguir porte de arma de fogo para vocês”. É irracional demais. É bom a besta do apocalipse, também já ir se acostumando. O seu reinado, profetizado por João, pode estar a perigo. Ou será que ela enviou um estagiário para captar adoradores antes da sua vinda? Por vias das dúvidas, tirem as crianças do colo de Bolsonaro e não deixem que nenhum desses pequeninos, se aproximem desse falso messias. O seu reino é das trevas. E lá, não tem doce!

*Nêggo Tom é cantor e compositor.
Publicado inicialmente no Brasil 247.

Foto do arquivo do médico Arruda Bastos, membro do Movimento Médicos pela Democracia.

pab

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