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Quando o ódio cega e faz do homem um ser irracional. Por Arruda Bastos

Quando o coração sofre e chora, só mesmo abrindo suas portas e deixando extravasar seu mais puro sentimento para voltarmos a acreditar que o amor ainda é mais forte que o ódio e o horror que vivenciamos entre irmãos nesse período grave da nossa história. Por isso resolvi, escancarando minha alma, escrever algumas linhas de desabafo.

Para meus leitores que ainda não captaram sobre o que me refiro, vou contar, até constrangido, o que aconteceu depois que postei na minha conta do Facebook um texto intitulado “Tirem as crianças do colo de Bolsonaro”, de autoria do compositor e cantor Nêggo Tom. O inspirado texto aborda o episódio em que o candidato, pegando uma criança nos braços, ensinava a inocente infante a fazer com os dedos o gesto de uma arma de fogo.

Para acompanhar meu post, e como hoje se comemora o dia da criança, resolvi utilizar uma foto minha quando criança e adicionar o tema alusivo à data. Pesquisando, encontrei com facilidade nas redes sociais um tema intitulado “Crianças contra Bolsonaro”, que permite adicioná-lo às fotos do perfil. Achei que ficou bom, em total sintonia com o texto, e publiquei na minha conta pessoal do Face.

Meus amigos, qual não foi minha surpresa quando, de imediato, passei a ser “metralhado” por comentários deselegantes, para dizer o mínimo, de “amigos” da rede social que, com toda certeza, sequer leram o texto ou, se leram, não o interpretaram bem, pois sendo longo e com algumas figuras de linguagem, não é mesmo fácil de compreender. Fiquei, a princípio, estupefato e sem entender o porquê de tanto ódio.

Depois de passado o susto, fui ler novamente e voltei a me horrorizar. Encontrei, entre os mesmos, alguns comentários de parentes que, por conhecer bem minha índole e da minha família, não poderiam descer a tão baixo nível. Pasmem! Fui chamado até de “babaca”, titulo que em 63 anos de existência e, mesmo depois de todos os importantes cargos que ocupei, nunca tinha sido batizado.

Encontrei também quem exigisse (eu disse isso mesmo: exigisse) que eu retirasse a legenda “Crianças contra Bolsonaro” da minha foto, como se eu devesse pedir autorização a alguém para postar algum tipo de texto e/ou foto na minha página, até porque não é ofensivo a ninguém, apenas um posicionamento pessoal. De tão ridículo que foi o comentário, cheguei até a sorrir, mas deixei na conta de um ato falho do “pitaqueiro” ou de alguém que desde já torce pela censura até nas redes sociais em um possível governo Bolsonaro.

Para os assíduos leitores dos meus livros, crônicas, artigos e textos: não vou mais importuná-los transcrevendo os comentários preconceituosos e grosseiros, alguns inclusive já deletados pelos autores.

A minha intenção nesse desabafo é outra: a de deixar claro que o pensamento ideológico, opção sexual, religiosa e o respeito é garantido por nossa Constituição e quem pensa o contrário é que comete crime, flertando com uma ditadura.

Faço um apelo final nesse meu texto para que, mesmo em um momento de tanta radicalização, façamos um esforço para a convivência pacífica entre quem pensa diferente. Por que agredir, ferir a honra, denegrir a imagem, divulgar fake news, se passado o pleito vamos continuar convivendo nas mesmas famílias, com os mesmos amigos, os mesmos colegas, vivendo no mesmo planeta e, para os católicos como eu, tendo o mesmo Pai, que é nosso Deus.

Não tenho qualquer objeção à manifestação de amigos, parentes, seguidores, ou qualquer indivíduo nas minhas redes sociais, ainda que divirjam da minha opinião. O que não é razoável é o bombardeio de ofensas, o desrespeito, a falta de civilidade nas minhas páginas ou qualquer outro meio social. Assim eu pauto minha conduta na internet e na vida, respeitando para ser respeitado.

Muito vem a calhar, neste momento, o pensamento atribuído ao escritor e filósofo francês Voltaire: “Posso não concordar com uma só palavras do que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las”.

Agradeço ainda a todos que, na minha rede social, rebateram os comentários, e se solidarizaram com o humilde escritor e também às muitas ligações e mensagens que recebi. A todos, o meu muito obrigado, e para os que me ofenderam, digo como Cristo “Pai, perdoa; eles não sabem o que fazem”.

Arruda Bastos é médico, professor universitário, ex-secretário da Saúde do Estado do Ceará, membro da Academia Brasileira de Médicos Escritores, membro do Movimento Médicos pela Democracia e um democrata.

Foto do Google.

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://www.portalarrudabastos.com.br

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